UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Primigesta de 16 anos apresenta sangramento vaginal, episódio de febre e dor tipo cólica há dois dias. AP: amenorreia de 16 semanas. Ao exame físico: PA 110 x 60 mmHg, FC 110 bpm, T 38,1°C, útero palpável cerca de 6 cm acima da sínfise púbica, doloroso à palpação, BCF 170 bpm. Toque vaginal: vagina hipertérmica, colo posterior, doloroso à mobilização, dilatado 2 cm. Aos exames laboratoriais: Ht 32%, Hb 9 g/dL, GB 26500/mm³, bastões 4%. A hipótese diagnóstica e a conduta são, correta e respectivamente:
Aborto infectado → febre, dor, sangramento, colo dilatado, útero doloroso, leucocitose + ATB (Clindamicina + Gentamicina) + esvaziamento uterino.
O quadro clínico de sangramento vaginal, dor tipo cólica, febre, útero doloroso, colo dilatado e leucocitose com desvio à esquerda em uma gestante com amenorreia de 16 semanas é altamente sugestivo de aborto infectado (ou séptico). A conduta primordial é a antibioticoterapia de amplo espectro (Clindamicina + Gentamicina) e a interrupção da gravidez (esvaziamento uterino) para remover o foco infeccioso.
O aborto infectado, também conhecido como aborto séptico, é uma complicação grave de abortamentos, seja espontâneo ou induzido, caracterizado pela infecção do conteúdo uterino e, potencialmente, dos tecidos adjacentes. É uma emergência obstétrica que pode evoluir rapidamente para sepse, choque séptico e falência de múltiplos órgãos, sendo uma das principais causas de mortalidade materna em países em desenvolvimento. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre, dor abdominal ou pélvica, sangramento vaginal, útero doloroso à palpação e, frequentemente, colo uterino dilatado com secreção purulenta. Achados laboratoriais como leucocitose com desvio à esquerda e anemia corroboram a hipótese. A paciente do caso apresenta todos esses sinais, incluindo taquicardia e útero doloroso, indicando um processo infeccioso ativo. A conduta é imediata e dupla: antibioticoterapia de amplo espectro e esvaziamento uterino. A combinação de Clindamicina (para anaeróbios) e Gentamicina (para gram-negativos) é um esquema comum e eficaz. O esvaziamento uterino, geralmente por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou curetagem, é essencial para remover o foco infeccioso e prevenir a progressão da sepse. A falha em realizar o esvaziamento uterino prontamente pode ter consequências fatais.
Os sinais e sintomas incluem febre, dor abdominal ou pélvica, sangramento vaginal, útero doloroso à palpação, e frequentemente, colo uterino dilatado com secreção purulenta. Leucocitose com desvio à esquerda é comum nos exames laboratoriais.
A conduta inicial é a estabilização da paciente, início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro (como Clindamicina e Gentamicina) e o esvaziamento uterino para remover o foco infeccioso.
O esvaziamento uterino é crucial porque remove o tecido infectado que serve como foco para a proliferação bacteriana. Sem a remoção desse foco, a infecção pode progredir para sepse grave, choque séptico e falência de múltiplos órgãos, mesmo com antibioticoterapia.
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