SMS Campo Grande - Secretaria Municipal de Saúde (MS) — Prova 2020
Maria, primigesta de 23 anos, com 8 semanas de gestação, procura seu médico de família com queixas de sangramento vaginal e cólicas persistentes desde a noite anterior. Ao exame, Maria encontra-se em bom estado geral, PA 115x85 mmHg e afebril. O exame especular revela saída de moderada quantidade de sangue vivo pelo orifício externo do colo uterino e, ao toque, o colo encontra-se pérvio. O diagnóstico mais provável para o caso relatado é:
Sangramento + cólicas + colo pérvio em gestante < 20 semanas → Aborto inevitável.
A presença de sangramento vaginal e cólicas persistentes, associada à dilatação do colo uterino (colo pérvio), em uma gestação de primeiro trimestre, é o quadro clínico clássico de aborto inevitável, indicando que a interrupção da gravidez está em curso e não pode ser revertida.
O abortamento espontâneo é a complicação mais comum da gravidez no primeiro trimestre, afetando cerca de 10-20% das gestações clinicamente reconhecidas. A correta classificação do tipo de abortamento é fundamental para o manejo adequado. O aborto inevitável é caracterizado pela presença de sangramento vaginal e cólicas, associados à dilatação do colo uterino, indicando que a expulsão do conteúdo uterino é iminente e irreversível. O diagnóstico diferencial é crucial. Enquanto a ameaça de abortamento apresenta sangramento e cólicas com colo fechado, permitindo conduta expectante, o aborto inevitável exige intervenção para esvaziamento uterino. Outros tipos incluem aborto incompleto (parte do conteúdo expulso, colo pérvio), aborto completo (todo o conteúdo expulso, colo fechado) e aborto retido (feto morto no útero, colo fechado, sem expulsão). A avaliação clínica cuidadosa, incluindo exame especular e toque vaginal, é essencial para a distinção. Para residentes, a capacidade de diagnosticar rapidamente o aborto inevitável é vital para evitar complicações como hemorragia ou infecção. O manejo envolve suporte clínico, analgesia e a escolha da melhor estratégia para o esvaziamento uterino, considerando o estado da paciente e a disponibilidade de recursos. A comunicação empática com a paciente e sua família é igualmente importante neste momento delicado.
Os principais sinais de aborto inevitável incluem sangramento vaginal de moderada a grande quantidade, cólicas abdominais persistentes e, crucialmente, a presença de colo uterino pérvio ao exame ginecológico, indicando que o processo de abortamento está em andamento.
A principal diferença reside no estado do colo uterino. Na ameaça de abortamento, há sangramento e cólicas, mas o colo uterino está fechado. No aborto inevitável, o colo uterino está pérvio, o que significa que a gestação não pode ser mantida.
A conduta inicial envolve a estabilização da paciente, avaliação do sangramento e dor, e preparo para o esvaziamento uterino, que pode ser expectante, medicamentoso ou cirúrgico, dependendo da condição clínica e do protocolo institucional.
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