MedEvo Simulado — Prova 2026
Isabela, 33 anos, secundigesta com um parto vaginal prévio, atualmente com 11 semanas e 4 dias de gestação pela data da última menstruação, comparece à emergência obstétrica. Ela relata que, há cerca de seis horas, iniciou quadro de dor abdominal em cólica de forte intensidade, seguida por sangramento vaginal profuso e eliminação de material sólido, descrito como "uma massa carnosa". Refere que, após esse evento, a dor desapareceu quase por completo e o sangramento diminuiu drasticamente, restando apenas um pequeno fluxo escuro. Ao exame físico, encontra-se estável hemodinamicamente (PA 115x75 mmHg, FC 78 bpm), com abdome indolor à palpação. No exame especular, não há sangramento ativo pelo orifício externo do colo. Ao toque vaginal, o colo uterino encontra-se grosso e fechado, com útero de tamanho discretamente menor que o esperado para a idade gestacional. A ultrassonografia transvaginal realizada no momento mostra útero de 135 cm³, cavidade endometrial preenchida por material heterogêneo, com áreas hiperecogênicas e anecoicas de permeio, medindo 23 mm de espessura, sem imagem de saco gestacional. O diagnóstico mais provável é:
Cervix fechado + Útero menor que a IG + USG com material heterogêneo (>15mm) = Aborto incompleto.
O aborto incompleto caracteriza-se pela expulsão parcial de produtos concepcionais, com permanência de restos ovulares na cavidade uterina, evidenciados por eco endometrial espessado e heterogêneo.
O abortamento é a complicação mais comum do início da gestação. O quadro clínico de aborto incompleto envolve dor abdominal tipo cólica e sangramento vaginal que diminuem após a expulsão de parte do conteúdo uterino. Ao exame, o útero pode estar menor que o esperado para a idade gestacional e o colo pode estar fechado ou pérvio. A ultrassonografia é essencial para confirmar a presença de restos ovulares, diferenciando-o do aborto completo (onde a cavidade está limpa e o endométrio fino) e do aborto retido (onde o saco gestacional permanece íntegro, mas sem vitalidade). O manejo adequado visa prevenir complicações como hemorragia persistente e infecção (aborto infectado).
O diagnóstico ultrassonográfico de aborto incompleto baseia-se na presença de material heterogêneo na cavidade endometrial, frequentemente com áreas hiperecogênicas (restos ovulares/coágulos) e anecoicas. Embora não haja um consenso absoluto sobre o 'cut-off', uma espessura endometrial superior a 15-20 mm em uma paciente com história de sangramento e expulsão de tecidos é altamente sugestiva de restos ovulares.
Sim. Embora o colo uterino costume estar aberto durante o processo de expulsão (aborto em curso), ele pode se fechar após a saída da maior parte do conteúdo gestacional, mesmo que ainda restem produtos concepcionais na cavidade (aborto incompleto). Por isso, o exame físico isolado não descarta a presença de restos.
A conduta pode ser expectante (em casos selecionados e estáveis), farmacológica (uso de misoprostol) ou cirúrgica (esvaziamento uterino por AMIU ou curetagem). A escolha depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, da quantidade de restos, da presença de sinais de infecção e da preferência da paciente após aconselhamento médico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo