INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi encaminhado para atendimento de uma gestante de 19 anos de idade, com idade gestacional de 9 semanas (confirmada por ultrassonografia precoce) e queixa de sangramento vaginal intenso. A paciente nega comorbidades ou trauma. Ao exame físico, revela-se hipocorada (++/4+); PA = 90 X 60 mmHg; FC = 110 bpm. O exame ginecológico evidenciou útero intrapélvico e aumentado de volume, colo amolecido com 1 cm de dilatação, presença de sangramento vaginal ativo e saída de restos ovulares. A paciente foi encaminhada para atendimento hospitalar. Quais seriam, respectivamente, o diagnóstico e a conduta corretos nesse caso?
Sangramento + Colo aberto + Restos ovulares = Aborto Incompleto → Estabilizar + Esvaziamento.
O aborto incompleto caracteriza-se pela expulsão parcial de produtos da concepção, apresentando colo dilatado e sangramento ativo, exigindo estabilização hemodinâmica e esvaziamento uterino.
O abortamento incompleto é uma das principais causas de hemorragia no primeiro trimestre. A instabilidade hemodinâmica (hipotensão e taquicardia) indica uma perda volêmica significativa que requer intervenção imediata. A presença de restos ovulares impede a contração miometrial efetiva, perpetuando o sangramento. O tratamento definitivo consiste no esvaziamento uterino, sendo a curetagem ou AMIU as opções principais. É crucial também avaliar a necessidade de imunoglobulina anti-D em pacientes Rh negativo para prevenir a isoimunização em gestações futuras.
No aborto inevitável, o colo uterino está dilatado, mas os produtos da concepção (saco gestacional) ainda permanecem íntegros dentro do útero. No aborto incompleto, já ocorreu a eliminação parcial de tecidos, mas ainda restam componentes ovulares na cavidade uterina, mantendo o colo aberto e o sangramento ativo.
A Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) é preferível em gestações de até 12 semanas. É um procedimento menos invasivo que a curetagem, apresenta menor risco de perfuração uterina e formação de sinéquias (Síndrome de Asherman), além de poder ser realizada com sedação leve ou bloqueio paracervical.
Deve-se garantir dois acessos venosos calibrosos (Jelco 14 ou 16), iniciar infusão rápida de cristaloides para restaurar a volemia e solicitar exames laboratoriais urgentes, incluindo tipagem sanguínea (Rh) e prova cruzada, preparando-se para hemotransfusão se a instabilidade persistir.
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