HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023
M.G.B., 36 anos, primigesta, IG cronológica de 9 semanas e 1 dia, deu entrada no PSO com queixa de sangramento vaginal em pequena quantidade há 1 dia, além de dor tipo cólica de fraca intensidade. Beta HCG qualitativo positivo. Ao exame especular: colo uterino sem lesões. Pequena quantidade de sangue coletado em fórnice posterior. Ao toque vaginal bimanual: colo uterino indolor à mobilização, impérvio, fundo uterino intra-pélvico. Abdome: dor à descompressão brusca negativa. Paciente sem ultrassom prévio. Paciente foi submetida a ultrassom transvaginal que identificou:Embrião intrauterino, CCN (comprimento cabeça nádega) medindo 29,8 mm, VV 4,2 mm; batimentos cardíacos ausentes. DMSG de 48,4 mm.Após exame de imagem, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais correta.
Abortamento retido (CCN > 7mm sem BCF) → Discutir com paciente condutas: expectante, medicamentosa ou cirúrgica.
Diante de um abortamento retido confirmado por ultrassom (CCN ≥ 7mm sem batimentos cardíacos ou DMSG ≥ 25mm sem embrião), a conduta mais correta é discutir com a paciente as opções de manejo (expectante, medicamentoso com misoprostol ou cirúrgico com AMIU/curetagem), respeitando sua autonomia e preferências.
O abortamento retido, também conhecido como aborto incompleto ou gestação anembrionária, é uma forma de perda gestacional precoce em que o embrião ou feto morre, mas o tecido gestacional permanece dentro do útero. É uma condição comum, afetando cerca de 10-20% das gestações clinicamente reconhecidas. O diagnóstico é feito principalmente por ultrassonografia transvaginal, que revela a ausência de batimentos cardíacos em um embrião com comprimento cabeça-nádega (CCN) ≥ 7 mm, ou um saco gestacional com diâmetro médio ≥ 25 mm sem embrião visível. Após a confirmação do diagnóstico, é fundamental que o médico discuta com a paciente todas as opções de manejo, respeitando sua autonomia e preferências. As principais condutas incluem a expectante, a medicamentosa e a cirúrgica. A conduta expectante envolve aguardar a expulsão espontânea do conteúdo uterino, sendo uma opção para pacientes estáveis e que preferem evitar intervenções. A conduta medicamentosa utiliza misoprostol, que induz contrações uterinas e a expulsão do material gestacional. A conduta cirúrgica pode ser realizada por Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) ou curetagem uterina, sendo a AMIU preferível em muitos casos devido ao menor risco de complicações. A escolha da conduta deve considerar fatores como o desejo da paciente, seu estado clínico, o tamanho da gestação e a disponibilidade dos métodos. É crucial fornecer informações claras sobre os prós e contras de cada abordagem, incluindo taxas de sucesso, tempo de resolução, riscos de sangramento, dor e infecção. O acompanhamento adequado é essencial para garantir a resolução completa e identificar possíveis complicações, independentemente da conduta escolhida.
Os critérios incluem: comprimento cabeça-nádega (CCN) ≥ 7 mm sem batimentos cardíacos; saco gestacional com diâmetro médio ≥ 25 mm sem embrião; ou ausência de embrião com batimentos cardíacos após 11 dias de um ultrassom que mostrou saco gestacional sem saco vitelínico, ou após 14 dias de um ultrassom que mostrou saco gestacional com saco vitelínico.
As vantagens incluem evitar procedimentos invasivos e seus riscos, e ser uma opção natural. As desvantagens são o tempo prolongado para a expulsão completa, sangramento imprevisível, dor e o risco de infecção se houver retenção prolongada de restos.
A AMIU é preferível à curetagem em muitos casos de abortamento incompleto ou retido, especialmente em gestações precoces, devido a menor risco de perfuração uterina, menor dor, recuperação mais rápida e menor necessidade de anestesia geral. É uma técnica mais segura e eficaz.
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