Abortamento Retido: Conduta com BetaHCG Elevado

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente, 23 anos, queixa-se de náusea moderada e atraso menstrual de 30 dias. Realiza betaHCG de 80.000mUI/mL e ultrassom com as imagens de ovário e útero apresentadas. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Expectante por até 2 semanas.
  2. B) Dilatação cervical e curetagem uterina.
  3. C) Aspiração intrauterina a vácuo.
  4. D) Repetir ultrassom em 10 dias.
  5. E) Misoprostol 400mg por via vaginal cada 4h até eliminação.

Pérola Clínica

BetaHCG 80.000 + USG sugestiva de abortamento retido → Aspiração intrauterina a vácuo (AMIU).

Resumo-Chave

Com um betaHCG de 80.000 mUI/mL, espera-se uma gestação visível e viável ao ultrassom. Se o ultrassom mostra um saco gestacional vazio ou embrião sem batimentos cardíacos, a hipótese de abortamento retido ou anembrionário é forte, e a AMIU é a conduta mais segura e eficaz para o esvaziamento uterino.

Contexto Educacional

O abortamento retido é uma condição em que o embrião ou feto morre, mas o produto da concepção permanece no útero. É uma das causas mais comuns de perda gestacional precoce e representa um desafio diagnóstico e terapêutico para residentes e estudantes de ginecologia e obstetrícia. A identificação precoce e a escolha da conduta adequada são cruciais para a saúde física e emocional da paciente. O diagnóstico de abortamento retido é feito pela combinação de achados clínicos, como atraso menstrual e sintomas de gravidez que não progridem, com exames laboratoriais (betaHCG) e, principalmente, ultrassonografia transvaginal. Um betaHCG de 80.000 mUI/mL indica uma gestação avançada o suficiente para que estruturas como o embrião e seus batimentos cardíacos sejam claramente visíveis. A ausência dessas estruturas ou de vitalidade fetal, com esse nível de betaHCG, confirma o diagnóstico de abortamento retido ou gravidez anembrionária. A conduta mais adequada para o esvaziamento uterino em casos de abortamento retido, especialmente com betaHCG elevado, é a aspiração intrauterina a vácuo (AMIU). Este método é preferível à curetagem convencional devido ao menor risco de complicações como perfuração uterina, hemorragia e formação de sinéquias intrauterinas. O manejo medicamentoso com misoprostol também é uma opção, mas pode ser mais demorado e associado a mais dor e sangramento, enquanto a conduta expectante é geralmente reservada para casos de betaHCG mais baixos ou quando a paciente prefere aguardar a eliminação espontânea.

Perguntas Frequentes

Quando se deve suspeitar de abortamento retido?

A suspeita surge quando há atraso menstrual, sintomas de gravidez que desaparecem ou não progridem, e um ultrassom que mostra um saco gestacional sem embrião (gravidez anembrionária) ou um embrião sem atividade cardíaca em um tamanho ou idade gestacional que deveria apresentá-la.

Qual a diferença entre AMIU e curetagem uterina?

A AMIU (Aspiração Manual Intrauterina) utiliza vácuo para esvaziar o útero, sendo menos invasiva, com menor risco de perfuração uterina e sinéquias. A curetagem utiliza uma cureta metálica para raspar o endométrio, sendo mais associada a complicações e geralmente reservada para casos específicos ou quando a AMIU não está disponível.

Quais são as opções de manejo para o abortamento retido?

As opções incluem conduta expectante (aguardar a eliminação espontânea), manejo medicamentoso (com misoprostol) ou manejo cirúrgico (AMIU ou curetagem). A escolha depende da idade gestacional, estabilidade clínica da paciente, preferência e disponibilidade de recursos.

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