SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022
Paciente vem à emergência obstétrica referindo estar gestante – com exame de Beta HCG positivo. Relatou que apresentou sangramento vaginal e cólicas, ambos de leve intensidade. Baseada na data da ultima menstruação, a idade gestacional é de 8 semanas. Ao Exame físico: PA: 120x80mmHg, FC: 80bpm, Temperatura Axilar: 36,5°C, Mucosas coradas. Abdomen plano, flácido, sem visceromegalias. Toque vaginal: orifício externo pérvio a 1 polpa digital e orifício interno fechado. O médico solicitou uma ultrassonografia, cujo resultado é apresentado uma semana após. Não voltou a apresentar cólicas ou sangramento. No laudo ultrassonográfico consta óbito embrionário. Indique os critérios ultrassonográficos que diagnosticarão o aborto retido precoce.
Saco gestacional ≥ 25mm sem embrião ou CCN ≥ 7mm sem BCF = Aborto.
O diagnóstico de abortamento retido por USG baseia-se em critérios morfológicos e cronológicos rigorosos para evitar intervenções em gestações viáveis precoces.
O manejo do sangramento no primeiro trimestre exige precisão diagnóstica. O abortamento retido caracteriza-se pela retenção de produtos da concepção após a morte embrionária ou fetal, sem a dilatação do colo uterino. A ultrassonografia transvaginal é o padrão-ouro para a avaliação, mas deve ser interpretada com cautela para não confundir gestações muito precoces com perdas. Os critérios diagnósticos foram atualizados para serem mais conservadores, aumentando o limiar do CCN de 5mm para 7mm e do DMSG de 16mm para 25mm para garantir 100% de especificidade. Na prática obstétrica, diante de um colo fechado e estabilidade hemodinâmica, a paciência diagnóstica é fundamental. Uma vez confirmado o diagnóstico, as opções incluem conduta expectante, manejo medicamentoso (misoprostol) ou esvaziamento cirúrgico (AMIU ou curetagem), dependendo do desejo da paciente e condições clínicas.
De acordo com o consenso da Society of Radiologists in Ultrasound (SRU), os critérios definitivos para diagnóstico de abortamento em exame único são: 1) Comprimento crânio-nádegas (CCN) ≥ 7 mm sem atividade cardíaca; 2) Diâmetro médio do saco gestacional (DMSG) ≥ 25 mm sem embrião; 3) Ausência de embrião com batimento cardíaco ≥ 2 semanas após um USG que mostrou saco gestacional sem vesícula vitelínica; ou 4) Ausência de embrião com batimento cardíaco ≥ 11 dias após um USG que mostrou saco gestacional com vesícula vitelínica.
Se os achados ultrassonográficos forem suspeitos, mas não preencherem os critérios de certeza (ex: DMSG entre 16-24mm sem embrião ou CCN < 7mm sem BCF), a conduta deve ser expectante. Recomenda-se repetir a ultrassonografia em 7 a 10 dias. O diagnóstico de abortamento é irreversível, portanto, a prioridade é evitar um falso-positivo que levaria à interrupção acidental de uma gestação viável que apenas está em uma fase muito inicial (erro de datação).
Embora ambos sejam formas de perda gestacional precoce, a gestação anembrionada (ovo cego) ocorre quando o saco gestacional se desenvolve, mas o embrião não se torna visível ao USG (DMSG ≥ 25mm sem embrião). No abortamento retido, o embrião chegou a se formar, mas houve óbito embrionário (CCN visível, mas sem BCF). Clinicamente, em ambos os casos, o colo uterino permanece fechado e pode haver ou não sangramento vaginal leve.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo