Abortamento de Repetição: Histeroscopia na Investigação

INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 37 anos, apresenta histórico de 3 perdas gestacionais de primeiro trimestre. Após cada aborto, houve necessidade de 3 aspirações manuais intrauterinas. Para a investigação dessas perdas de repetição, o exame obrigatoriamente solicitado é:

Alternativas

  1. A) mutação do gene da protrombina
  2. B) fator V Leiden
  3. C) pesquisa de cross-match
  4. D) histeroscopia

Pérola Clínica

3 perdas gestacionais 1º trimestre + AMIU → investigar causas anatômicas = histeroscopia obrigatória.

Resumo-Chave

Perdas gestacionais de repetição no primeiro trimestre, especialmente com histórico de procedimentos intrauterinos como AMIU, levantam forte suspeita de causas anatômicas uterinas, como sinéquias ou malformações. A histeroscopia é o exame padrão-ouro para avaliar a cavidade uterina nesses casos.

Contexto Educacional

O abortamento de repetição, definido como três ou mais perdas gestacionais consecutivas antes de 20 semanas de gestação, é uma condição desafiadora que afeta muitas mulheres. A investigação é complexa e multifatorial, abrangendo causas genéticas, anatômicas, endócrinas, trombofílicas e imunológicas. No caso apresentado, o histórico de três perdas gestacionais de primeiro trimestre e, crucialmente, a necessidade de aspirações manuais intrauterinas (AMIU) após cada aborto, direcionam fortemente a investigação para causas anatômicas. A manipulação intrauterina, como a AMIU, é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de sinéquias uterinas (Síndrome de Asherman), que são aderências na cavidade uterina. Essas sinéquias podem distorcer a anatomia uterina, dificultar a implantação embrionária ou comprometer o desenvolvimento gestacional, levando a abortamentos recorrentes. Malformações uterinas congênitas, como útero septado, também são causas anatômicas importantes de perdas gestacionais. Nesse contexto, a histeroscopia diagnóstica é o exame obrigatório e de primeira linha. Ela permite a visualização direta da cavidade uterina, identificando sinéquias, septos, pólipos ou miomas submucosos que podem ser corrigidos cirurgicamente. Embora a investigação de trombofilias (mutação do gene da protrombina, Fator V Leiden) e fatores imunológicos (pesquisa de cross-match, que é mais relevante em falhas de implantação em FIV ou abortos tardios de causa imunológica) faça parte da investigação completa do abortamento de repetição, a prioridade, dada a história de AMIU, é a avaliação anatômica.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de abortamento de repetição no primeiro trimestre?

As causas incluem fatores genéticos (aneuploidias), anatômicos (malformações uterinas, sinéquias), endócrinos (diabetes, hipotireoidismo), trombofílicos (SAF, mutações genéticas) e imunológicos. Em muitos casos, a causa permanece idiopática.

Por que a histeroscopia é um exame obrigatório na investigação de abortamento de repetição com histórico de AMIU?

A histeroscopia permite a visualização direta da cavidade uterina, sendo essencial para diagnosticar sinéquias (aderências) uterinas, que são cicatrizes que podem se formar após procedimentos como a AMIU e que podem impedir a implantação ou o desenvolvimento adequado da gestação.

Quando investigar trombofilias hereditárias em casos de abortamento de repetição?

A investigação de trombofilias (como mutação do gene da protrombina e Fator V Leiden) é indicada em casos de abortamento de repetição, especialmente quando há histórico de trombose ou perdas gestacionais tardias, mas não é o exame 'obrigatoriamente' prioritário em um caso com histórico de AMIU e perdas de primeiro trimestre.

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