Ética Médica e Aborto Legal: Objeção de Consciência

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2017

Enunciado

A paciente T. C. R., de 14 anos de idade, chega ao respectivo domicílio e relata à mãe dela que o vizinho a forçou a manter relações sexuais com ele há aproximadamente duas horas. Ela está chorosa, com receio de contar o ocorrido ao pai e temendo engravidar, pois não usa método contraceptivo no momento. A mãe a acolhe e conduz a adolescente até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), tanto pela qualidade da atenção à saúde prestada pela equipe quanto pela confiança naqueles profissionais. Considerando a situação hipotética apresentada, a Política de Amparo à Criança e ao Adolescente, a Política de Atenção à Violência contra a Mulher do Ministério da Saúde, as portarias que definem o Serviço de Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual e a conduta do médico assistente, julgue o item a seguir. Na atenção humanizada ao abortamento, o médico deve prescindir da objeção de consciência em qualquer situação de abortamento juridicamente permitido, na ausência de outro médico que o faça e quando a mulher puder sofrer danos ou agravos à saúde em razão da omissão do médico.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Objeção de consciência cede ante risco de morte ou ausência de outro médico em aborto legal.

Resumo-Chave

O médico tem direito à objeção de consciência, exceto em casos de urgência, risco de morte ou quando não houver outro profissional disponível para realizar o procedimento legalmente permitido.

Contexto Educacional

O atendimento a vítimas de violência sexual exige uma abordagem humanizada e multidisciplinar. O abortamento previsto em lei deve ser garantido pelo Estado, e os serviços de saúde devem estar organizados para tal. A objeção de consciência é um direito individual do médico, mas a instituição deve assegurar que a assistência não seja interrompida. Em situações onde o médico é o único disponível ou há risco iminente de dano à saúde, o dever de socorro prevalece, e o profissional deve realizar o procedimento independentemente de suas convicções pessoais, garantindo o amparo legal e ético à paciente.

Perguntas Frequentes

Quando o aborto é permitido no Brasil?

O aborto é legalmente permitido em três situações: gravidez resultante de estupro (sem necessidade de autorização judicial), risco de vida para a gestante (quando não há outro meio de salvá-la) e anencefalia fetal (conforme decisão do STF na ADPF 54).

O que é objeção de consciência?

É o direito do médico de se recusar a realizar atos que contrariem seus princípios morais, éticos ou religiosos. No entanto, esse direito não é absoluto: o médico não pode exercê-lo em casos de urgência/emergência, quando a recusa possa causar dano à saúde da paciente ou quando não houver outro médico disponível para realizar o procedimento.

O médico pode ser punido por negar aborto legal?

Sim. Se a recusa ocorrer em situação de risco de morte, ausência de outro profissional ou se resultar em agravos à saúde da mulher, o médico pode responder ética e juridicamente. O Código de Ética Médica e as normas do Ministério da Saúde priorizam o dever de assistência e a integridade da paciente sobre a convicção individual do profissional nessas exceções.

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