SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2021
A moradora Paula, de 24 anos, foi encaixada para atendimento na agenda da residente Ana, pois estava agitada na recepção do Centro de Saúde. Ela havia feito um teste de gravidez ''de farmácia'', o resultado foi positivo e gostaria de uma confirmação. Ao ser indagada, disse que não fazia uso de método contraceptivo, estava mantendo relações sexuais com seu atual companheiro que conheceu há 3 meses e sua data da última menstruação tinha 2 meses. Sobre seu histórico gestacional prévio, referiu ter engravidado quando tinha 16 anos de idade. Na época, morava em uma cidade do interior do estado e realizou aborto com chás e introduzindo um objeto pontiagudo pela vagina. Referiu que foram dias de muito medo e dor. Ao realizar o teste, o resultado confirmou a gestação e Paula desabou em prantos. Disse que não gostaria em hipótese alguma de seguir com a gestação por motivos pessoais e estava decidida que iria abortar novamente. Diante da situação de abortamento inseguro, a condução da consulta deveria prosseguir de maneira a:
Aborto inseguro: acolher, orientar sobre riscos e opções com evidências, sem julgamento, é prevenção secundária.
Diante de uma paciente com gestação indesejada e histórico de aborto inseguro, a conduta ética e profissional é oferecer acolhimento, informações baseadas em evidências sobre os riscos do aborto inseguro e as opções legais disponíveis, visando a redução de danos e a promoção da saúde reprodutiva.
O abortamento inseguro é uma grave questão de saúde pública, responsável por uma parcela significativa da morbimortalidade materna global. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enfatiza a importância de abordagens que visem a redução de danos e a garantia da saúde reprodutiva das mulheres. No Brasil, a interrupção da gestação é permitida em casos de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal, conforme legislação vigente. Diante de uma paciente que expressa o desejo de interromper uma gestação, especialmente com histórico de aborto inseguro, a conduta do profissional de saúde deve ser pautada na ética, no acolhimento e na medicina baseada em evidências. É fundamental oferecer um espaço seguro para a paciente expressar seus sentimentos e preocupações, sem julgamento. A orientação deve incluir informações claras sobre os riscos do aborto inseguro, as opções legais disponíveis e o acesso a métodos contraceptivos eficazes para o futuro. Essa abordagem constitui uma estratégia de prevenção secundária, pois busca minimizar os danos à saúde da mulher que já se encontra em uma situação de risco. O foco é na autonomia da paciente e na garantia de que ela tome decisões informadas, protegendo sua vida e bem-estar, independentemente das convicções pessoais do profissional.
O médico deve acolher a paciente, oferecer escuta qualificada, informar sobre todas as opções (manter a gestação, adoção, interrupção legal) e os riscos associados, sempre com base em evidências e sem julgamento moral.
A prevenção secundária visa reduzir a morbimortalidade associada a práticas de aborto inseguro, oferecendo informações e acesso a métodos seguros quando legalmente permitido, ou orientando sobre os riscos para evitar complicações graves.
Os riscos incluem hemorragias graves, infecções, perfuração uterina, lesões em órgãos adjacentes, infertilidade e, em casos extremos, óbito. Além disso, há impactos psicológicos significativos.
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