Abortamento Infectado: Diagnóstico e Sinais de Alerta

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Gestante de 27 anos, primigesta, IG: 10 semanas, comparece ao pronto atendimento com queixa de sangramento vaginal há 03 dias associado à dor pélvica, adinamia e febre não termometrada. Realizou ultrassonografia há 02 semanas com gestação em curso, sem alterações. Ao exame físico, evidenciado dor à palpação de baixo ventre, sem sinais de irritação peritoneal, TAX: 38,7º, presença de sangramento vaginal exteriorizando pelo colo associado a material necrótico com odor desagradável, dor à mobilização de colo uterino. O diagnóstico é de:

Alternativas

  1. A) Doença inflamatória pélvica.
  2. B) Mola hidatiforme.
  3. C) Neoplasia de sítio placentário.
  4. D) Abortamento infectado.
  5. E) Gravidez ectópica infectada.

Pérola Clínica

Gestante com sangramento vaginal, febre, dor pélvica e material necrótico/odor fétido → Abortamento infectado.

Resumo-Chave

O abortamento infectado é uma emergência obstétrica caracterizada por sinais de infecção sistêmica (febre, adinamia) e local (dor pélvica, sangramento com material necrótico e odor fétido, dor à mobilização do colo) após um abortamento. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo são cruciais para evitar sepse e choque séptico.

Contexto Educacional

O abortamento infectado é uma condição grave que pode levar à sepse, choque séptico, falência de múltiplos órgãos e morte materna se não for prontamente diagnosticado e tratado. É mais comum após abortamentos inseguros ou incompletos, mas pode ocorrer em qualquer tipo de abortamento. A epidemiologia varia globalmente, sendo um problema de saúde pública em regiões com acesso limitado a cuidados de saúde reprodutiva. A fisiopatologia envolve a ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino para o endométrio e miométrio, causando endometrite e miometrite. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de sangramento vaginal, dor pélvica e febre, associado a sinais de infecção local. Exames laboratoriais como hemograma (leucocitose com desvio à esquerda) e culturas (sangue e material uterino) auxiliam na confirmação e direcionamento do tratamento. O tratamento é uma emergência e consiste na estabilização da paciente, antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa e esvaziamento uterino para remover o tecido infectado. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo crucial a vigilância para sinais de deterioração clínica e complicações como peritonite ou abscesso pélvico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de um abortamento infectado?

Os principais sinais incluem sangramento vaginal, dor pélvica, febre (geralmente acima de 38ºC), adinamia, taquicardia, e ao exame ginecológico, presença de material necrótico com odor fétido e dor à mobilização do colo uterino.

Qual a conduta inicial para uma gestante com suspeita de abortamento infectado?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, coleta de exames laboratoriais (hemograma, culturas), início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro e esvaziamento uterino, geralmente por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou curetagem.

Como diferenciar abortamento infectado de outras causas de sangramento no primeiro trimestre?

A presença de febre, calafrios, dor pélvica intensa, secreção vaginal purulenta ou com odor fétido, e sinais de irritação peritoneal ou sepse são indicativos de abortamento infectado, diferenciando-o de ameaça de aborto ou aborto incompleto não complicado.

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