Abortamento Infectado: Diagnóstico Rápido e Manejo de Urgência

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 22 anos de idade chega ao pronto-socorro com queixa de dor abdominal, sangramento vaginal e febre há 3 dias. O exame mostra mau estado geral, temperatura de 18.5ºC, abdome difusamente doloroso, principalmente em andar inferior. Exame especular com saída de material de aspecto necrótico pelo colo, com forte odor, sanguinolento. O toque mostra colo pérvio para 1cm, amolecido, útero aumentado 2 vezes e doloroso à mobilização. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Doença inflamatória pélvica aguda
  2. B) Neoplasia de colo de útero
  3. C) Neoplasia de endométrio
  4. D) Abortamento infectado
  5. E) Candidíase vaginal

Pérola Clínica

Dor abdominal + febre + sangramento vaginal + colo pérvio + material necrótico/odor = Abortamento Infectado.

Resumo-Chave

A tríade de dor abdominal, sangramento vaginal e febre, associada a mau estado geral, colo uterino pérvio, útero aumentado e doloroso, e a presença de material necrótico com odor fétido, é altamente sugestiva de abortamento infectado, uma emergência ginecológica.

Contexto Educacional

O abortamento infectado, ou aborto séptico, é uma complicação grave e potencialmente fatal de um aborto, seja ele espontâneo ou induzido. Caracteriza-se pela infecção do conteúdo uterino e, frequentemente, dos tecidos adjacentes, podendo evoluir para sepse e choque séptico. É uma emergência ginecológica que exige reconhecimento e manejo imediatos para preservar a vida da paciente e sua fertilidade futura. O quadro clínico clássico inclui dor abdominal, sangramento vaginal e febre, muitas vezes acompanhados de calafrios, taquicardia e mau estado geral. Ao exame ginecológico, são achados típicos o colo uterino pérvio, útero amolecido, aumentado e doloroso à mobilização, além da presença de secreção vaginal purulenta, sanguinolenta e com odor fétido, por vezes com material necrótico. A suspeita deve ser alta em mulheres em idade fértil com esses sintomas. O tratamento é multifacetado e urgente, envolvendo a estabilização hemodinâmica da paciente, antibioticoterapia de amplo espectro iniciada prontamente e o esvaziamento uterino para remover o foco da infecção. A escolha do método de esvaziamento (AMIU ou curetagem) depende da idade gestacional e das condições clínicas. O residente deve estar apto a diagnosticar e iniciar o manejo adequado para evitar complicações como peritonite, tromboflebite séptica e falência de múltiplos órgãos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de um abortamento infectado?

Os principais sinais incluem dor abdominal, sangramento vaginal, febre, calafrios, taquicardia, mau estado geral, e ao exame ginecológico, colo uterino pérvio, útero aumentado e doloroso, e secreção vaginal purulenta ou com odor fétido.

Qual a conduta inicial para um caso suspeito de abortamento infectado?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica da paciente, coleta de culturas (sangue, secreção vaginal), início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro e esvaziamento uterino, geralmente por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou curetagem.

Como diferenciar abortamento infectado de Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Embora ambas possam apresentar dor pélvica e febre, o abortamento infectado tipicamente cursa com sangramento vaginal e evidência de restos ovulares ou material necrótico no colo, além de útero aumentado e doloroso. A DIP geralmente não apresenta sangramento uterino anormal ou colo pérvio com material necrótico.

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