Abortamento Infectado: Antibioticoterapia Essencial

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2022

Enunciado

A antibioticoterapia nos casos de abortamento infectado sem peritonite DEVE seguir a seguinte terapêutica:

Alternativas

  1. A) Cefazolina 2g EV de 8/8 horas e metronidazol 500mg EV de 8/8 horas.
  2. B) Ciprofloxacino 400mg EV de 6/6 horas e vancomicina 500mg EV, uma dose.
  3. C) Imipenen 200mg EV de 8/8 horas e penicilina cristalina 10.000.000UI EV, 12/12 horas.
  4. D) Clindamicina 900mg IV a cada 8 horas e gentamicina 3-5mg/kg IV (máx 240mg), uma vez ao dia.

Pérola Clínica

Abortamento infectado (sem peritonite) → Clindamicina + Gentamicina (cobertura anaeróbios e Gram-negativos).

Resumo-Chave

No abortamento infectado sem peritonite, a antibioticoterapia empírica deve cobrir um amplo espectro de bactérias, incluindo anaeróbios e Gram-negativos. A combinação de Clindamicina (para anaeróbios e Gram-positivos) e Gentamicina (para Gram-negativos) é um esquema eficaz e amplamente recomendado.

Contexto Educacional

O abortamento infectado, também conhecido como abortamento séptico, é uma complicação grave que pode ocorrer após um abortamento espontâneo, induzido ou incompleto. Caracteriza-se pela infecção do útero e/ou tecidos adjacentes, podendo evoluir rapidamente para sepse e choque séptico, com alta morbimortalidade se não tratado adequadamente. A antibioticoterapia precoce e de amplo espectro é um pilar fundamental do tratamento. A escolha do esquema antibiótico empírico deve considerar a natureza polimicrobiana da infecção, que geralmente envolve bactérias da flora vaginal e intestinal, incluindo anaeróbios, Gram-negativos e Gram-positivos. A combinação de Clindamicina e Gentamicina é amplamente recomendada devido à sua cobertura abrangente. A Clindamicina é eficaz contra anaeróbios e muitos Gram-positivos, enquanto a Gentamicina cobre um espectro significativo de Gram-negativos. Além da antibioticoterapia, o esvaziamento uterino é essencial para remover o tecido infectado e controlar a fonte da infecção. Este procedimento deve ser realizado após o início dos antibióticos e a estabilização da paciente. O manejo do abortamento infectado exige uma abordagem multidisciplinar e vigilância constante para identificar e tratar precocemente qualquer sinal de piora clínica ou progressão para sepse grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos do abortamento infectado?

O abortamento infectado é geralmente polimicrobiano, envolvendo bactérias da flora vaginal e intestinal, como anaeróbios (Bacteroides, Peptostreptococcus), Gram-negativos (E. coli, Klebsiella) e Gram-positivos (Streptococcus, Enterococcus).

Por que a combinação de Clindamicina e Gentamicina é eficaz?

A Clindamicina oferece excelente cobertura para bactérias anaeróbias e muitos Gram-positivos, enquanto a Gentamicina é eficaz contra uma ampla gama de Gram-negativos. Juntas, elas fornecem um espectro abrangente para as infecções pélvicas polimicrobianas.

Qual a conduta adicional no manejo do abortamento infectado?

Além da antibioticoterapia, é crucial realizar a esvaziamento uterino (curetagem ou aspiração manual intrauterina - AMIU) após a estabilização clínica e início dos antibióticos, para remover o tecido infectado e controlar a fonte da infecção.

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