SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019
Paciente, 24 anos, G3P2A1, vai à emergência com quadro de febre e secreção vaginal de odor fétido. Refere que realizou há 20 dias um abortamento provocado em ambiente não hospitalar com manipulação uterina. Qual a melhor conduta?
Abortamento infectado com febre e secreção fétida → ATB EV + esvaziamento uterino (curetagem ou AMIU).
Pacientes com abortamento provocado e sinais de infecção (febre, secreção fétida) devem ser tratadas como aborto infectado ou séptico. A conduta essencial é a antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro para controlar a infecção e o esvaziamento uterino (curetagem ou AMIU) para remover o tecido infectado e prevenir a progressão para sepse.
O abortamento infectado, ou aborto séptico, é uma complicação grave e potencialmente fatal de abortamentos, especialmente aqueles realizados em condições inseguras ou com manipulação uterina. Caracteriza-se pela presença de infecção no útero e/ou tecidos adjacentes, podendo evoluir para sepse e choque séptico. A epidemiologia está fortemente ligada à realidade dos abortamentos inseguros, que representam um grave problema de saúde pública em muitos países. O diagnóstico de abortamento infectado é clínico, baseado na história de abortamento recente (provocado ou espontâneo) associada a sinais de infecção como febre, dor abdominal, sangramento vaginal com odor fétido e secreção purulenta. Exames laboratoriais podem revelar leucocitose com desvio à esquerda e marcadores inflamatórios elevados. A suspeita deve ser alta em pacientes com história de manipulação uterina extra-hospitalar. A fisiopatologia envolve a proliferação bacteriana no útero, que pode se estender para as trompas, ovários e peritônio. A conduta para abortamento infectado é uma emergência ginecológica e exige internação hospitalar imediata. O tratamento consiste em antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro para cobrir os principais patógenos (aeróbios e anaeróbios) e o esvaziamento uterino para remover o tecido necrótico e infectado, que serve como meio de cultura para as bactérias. A curetagem uterina ou a Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) são os métodos preferenciais para o esvaziamento. O atraso no tratamento pode levar a complicações graves como peritonite, abscesso pélvico, falência de múltiplos órgãos e morte.
Os sinais e sintomas de abortamento infectado incluem febre, dor abdominal, sangramento vaginal com odor fétido, secreção purulenta, taquicardia e, em casos graves, sinais de sepse como hipotensão e alteração do estado mental. A história de manipulação uterina prévia é um fator de risco importante.
A conduta inicial para abortamento infectado é a internação hospitalar, início imediato de antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro (cobrir gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios) e, assim que a paciente estiver estabilizada, o esvaziamento uterino para remover o tecido infectado, seja por curetagem ou Aspiração Manual Intrauterina (AMIU).
O misoprostol é eficaz para induzir o esvaziamento uterino em abortamentos incompletos não infectados. No entanto, em um quadro de abortamento infectado com febre e secreção fétida, a prioridade é controlar a infecção sistêmica com antibióticos endovenosos e realizar o esvaziamento mecânico do útero para remover o foco infeccioso, o que o misoprostol sozinho não garante de forma rápida e completa.
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