Abortamento Infectado: Diagnóstico e Manejo Urgente

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 22 anos comparece ao serviço de urgência e emergência obstétrica referindo sangramento vaginal há 7 dias, dor pélvica há 3 dias e febre há 2 dias. Relata que há duas semanas submeteu-se a um aborto em clínica clandestina. Exame físico: pressão arterial igual a 90/60 mmHg, temperatura axilar de 38,20C, sangramento uterino vermelho vivo de pequena intensidade entremeado á secreção amarela com odor; colo uterino pérvio para 1 cm; útero intra-pélvico de pequeno volume, doloroso a mobilização. Ultrassonografia transvaginal mostra ecos amorfos intra-uterinos e ausência de feto ou embrião. O diagnóstico e a respectiva conduta são:

Alternativas

  1. A) abortamento completo e conduta conservadora com orientação e retorno ao domicílio.
  2. B) abortamento completo e antibioticoterapia de amplo espectro.
  3. C) aborto incompleto infectado, antibioticoterapia e esvaziamento uterino.
  4. D) abortamento retido e esvaziamento uterino com aspiração manual intra-uterina.
  5. E) abortamento incompleto e esvaziamento uterino com aspiração manual intra-uterina.

Pérola Clínica

Aborto incompleto + febre, dor pélvica, secreção fétida, hipotensão → Aborto infectado = ATB amplo espectro + esvaziamento uterino.

Resumo-Chave

A presença de febre, dor pélvica, sangramento com odor fétido e hipotensão após um aborto, mesmo que clandestino, indica um quadro de abortamento infectado. A conduta essencial é a estabilização da paciente com antibioticoterapia de amplo espectro e o esvaziamento uterino para remover o foco infeccioso.

Contexto Educacional

O abortamento infectado é uma complicação grave e potencialmente fatal do aborto, especialmente quando realizado em condições inseguras. Caracteriza-se pela infecção do útero e/ou tecidos adjacentes após um aborto, seja ele espontâneo ou induzido. A incidência é maior em países onde o aborto é ilegal ou restrito, levando a procedimentos clandestinos e sem assepsia adequada. A rápida identificação e manejo são cruciais para evitar a progressão para sepse e choque séptico. O diagnóstico baseia-se na história clínica de aborto recente, associada a sinais e sintomas de infecção, como febre, dor pélvica, sangramento vaginal com odor fétido e, em casos mais avançados, hipotensão e taquicardia. O exame físico pode revelar colo uterino pérvio e útero doloroso. A ultrassonografia transvaginal geralmente mostra restos ovulares intrauterinos. A fisiopatologia envolve a proliferação bacteriana nos restos teciduais, levando a uma resposta inflamatória sistêmica. A conduta para o abortamento infectado é uma emergência médica que exige estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro (geralmente cobrindo anaeróbios e gram-negativos) e esvaziamento uterino imediato para remover o foco infeccioso. A aspiração manual intrauterina (AMIU) ou curetagem são as técnicas mais comuns. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e tratamento, com risco de sequelas como infertilidade e síndrome de Asherman, ou óbito em casos de sepse não controlada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de um abortamento infectado?

Os sinais incluem febre, dor pélvica intensa, sangramento vaginal com odor fétido, taquicardia, hipotensão e, em casos graves, sinais de sepse, como alteração do nível de consciência e oligúria.

Qual a conduta inicial para um abortamento infectado?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir anaeróbios e gram-negativos) e esvaziamento uterino para remover o tecido infectado, que é o foco da infecção.

Por que o esvaziamento uterino é crucial no abortamento infectado?

O esvaziamento uterino é fundamental para remover o foco da infecção (restos ovulares), prevenindo a progressão para sepse grave e choque séptico. A remoção do tecido necrótico e infectado é essencial para o controle da infecção.

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