Abortamento Infectado: Diagnóstico e Manejo Urgente

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Gestante de 28 anos de idade, na 10ª semana, procura o pronto-socorro com queixa de sangramento vaginal moderado há 3 dias, associado a dor pélvica, febre, adinamia e anorexia. Realizou ultrassonografia há 2 semanas, compatível com o tempo gestacional, sem alterações. O exame mostra mau estado geral, temperatura de 38,5 °C, dor a palpação de abdome inferior, sem descompressão brusca. Observa-se sangramento pelo colo uterino, com saída de material necrótico, com odor desagradável. O colo uterino está pérvio para 1 cm, o útero aumentado 1 vez e doloroso à mobilização. O diagnóstico é de

Alternativas

  1. A) neoplasia de sítio placentário.
  2. B) gravidez ectópica infectada.
  3. C) doença trofoblástica gestacional.
  4. D) abortamento infectado.
  5. E) doença inflamatória pélvica aguda.

Pérola Clínica

Gestante com sangramento vaginal + febre + dor pélvica + colo pérvio + material necrótico = Abortamento Infectado.

Resumo-Chave

O abortamento infectado é uma emergência obstétrica caracterizada por infecção do conteúdo uterino após um aborto, manifestando-se com febre, dor, sangramento e sinais de sepse. O útero doloroso e a presença de material necrótico são achados chave.

Contexto Educacional

O abortamento infectado, também conhecido como aborto séptico, é uma complicação grave de qualquer tipo de abortamento, seja espontâneo ou induzido, caracterizado pela infecção do conteúdo uterino e, potencialmente, disseminação sistêmica. É uma emergência obstétrica que pode levar a sepse, choque séptico, falência de múltiplos órgãos e morte materna se não for prontamente diagnosticado e tratado. O diagnóstico é clínico, baseado na história de sangramento vaginal e dor pélvica em gestante, associado a febre, mau estado geral, taquicardia e, ao exame ginecológico, colo uterino pérvio com saída de material necrótico e odor fétido, além de útero doloroso à mobilização. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios. O tratamento é agressivo e urgente, envolvendo estabilização da paciente, antibioticoterapia de amplo espectro intravenosa imediata para cobrir germes aeróbios e anaeróbios, e esvaziamento uterino para remover o tecido infectado. A falha no tratamento pode resultar em histerectomia ou óbito.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de um abortamento infectado?

Os principais sinais incluem febre, dor pélvica intensa, sangramento vaginal com odor fétido, saída de material necrótico, colo uterino pérvio e útero doloroso à palpação.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de abortamento infectado?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica da paciente, coleta de culturas, início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro e esvaziamento uterino.

Como diferenciar um abortamento infectado de um aborto incompleto?

A principal diferença é a presença de sinais sistêmicos de infecção (febre, mau estado geral, taquicardia) e sinais locais de infecção (odor fétido, material necrótico) no abortamento infectado, que não estão presentes no aborto incompleto não complicado.

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