Abortamento Inevitável: Diagnóstico e Conduta Clínica

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015

Enunciado

Mulher, 26 anos de idade, primigesta, idade gestacional de 16 semanas, chega à maternidade referindo sangramento moderado e cólicas, nega febre. Ao exame físico, abdome pouco doloroso à palpação, batimentos cardiofetais inaudíveis ao Sonnar Doppler. Ao toque, colo dilatado de 2cm, sangramento moderado. Considerando esse caso, indique a suspeita diagnóstica.

Alternativas

Pérola Clínica

Sangramento + Colo aberto + BCF ausente/presente = Abortamento Inevitável.

Resumo-Chave

O diagnóstico de abortamento inevitável é clínico, caracterizado por sangramento vaginal e dilatação cervical, indicando a impossibilidade de manutenção da gravidez.

Contexto Educacional

O abortamento é a complicação mais comum da gestação inicial, ocorrendo em cerca de 15-20% das gravidezes clinicamente reconhecidas. O quadro clínico de abortamento inevitável representa um estágio onde as modificações cervicais impedem a continuidade da gestação. É essencial que o médico residente saiba diferenciar as diversas formas de abortamento (ameaça, inevitável, incompleto, retido e infectado) para aplicar a conduta correta, que varia desde o repouso e observação até o esvaziamento uterino de urgência e antibioticoterapia, garantindo a segurança e o suporte emocional à paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre ameaça de aborto e aborto inevitável?

A principal diferença reside no exame do colo uterino. Na ameaça de abortamento, a paciente apresenta sangramento vaginal, mas o colo uterino permanece fechado e a vitalidade fetal costuma estar preservada. Já no abortamento inevitável (ou aborto em curso), além do sangramento e das cólicas, o colo uterino já se encontra dilatado, indicando que o processo de expulsão do conteúdo uterino é irreversível, independentemente da presença ou ausência de batimentos cardiofetais no momento do exame.

Como proceder diante de um colo dilatado com 16 semanas?

Diante de uma gestante de 16 semanas com sangramento, dor e colo dilatado (2cm), o diagnóstico clínico é de abortamento inevitável. A conduta depende da estabilidade hemodinâmica da paciente e da presença de restos ovulares. Pode-se optar pelo esvaziamento uterino (por AMIU ou curetagem) ou, em casos selecionados e dependendo da idade gestacional, aguardar a expulsão espontânea sob vigilância. Como a gestação está com 16 semanas, a expulsão pode ser mais dolorosa e demorada, exigindo muitas vezes intervenção médica.

A ausência de BCF ao Doppler é definitiva?

Aos 16 semanas de idade gestacional, os batimentos cardiofetais (BCF) devem ser facilmente audíveis ao Sonnar Doppler. A inaudibilidade, associada ao quadro de sangramento e colo dilatado, reforça o diagnóstico de perda gestacional. No entanto, para confirmação de óbito embrionário ou fetal em casos de dúvida diagnóstica (especialmente se o colo estivesse fechado), a ultrassonografia transvaginal ou abdominal é o padrão-ouro para avaliar a atividade cardíaca e a integridade do saco gestacional.

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