FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021
Paciente secundigesta com 9 semanas de gravidez pela data da última menstruação, refere cólica abdominal de forte intensidade sangramento vaginal volumoso e espontâneo. Ao exame especular, moderada quantidade de sangue em fundo de saco posterior, com sangramento ativo. Toque vaginal com colo pérvio para 2 cm. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Sangramento vaginal + cólica + colo uterino pérvio = abortamento inevitável.
A presença de sangramento vaginal volumoso, cólica abdominal intensa e, crucialmente, um colo uterino pérvio (aberto) em uma gestante de 9 semanas, indica que o processo de abortamento está em curso e não pode ser interrompido. Esta tríade caracteriza o abortamento inevitável, que evoluirá para a expulsão do conteúdo uterino.
O abortamento espontâneo é a complicação mais comum da gravidez no primeiro trimestre, afetando cerca de 15-20% das gestações clinicamente reconhecidas. O abortamento inevitável representa uma fase avançada desse processo, onde a perda gestacional é iminente e irreversível. É crucial para o médico residente saber diferenciar os tipos de abortamento para um manejo adequado. A fisiopatologia do abortamento inevitável envolve a contração uterina e a dilatação cervical, levando à expulsão do feto e anexos. As causas são variadas, incluindo anomalias cromossômicas, infecções, problemas hormonais e anatômicos. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de sangramento vaginal, cólica abdominal e, o achado mais distintivo, o colo uterino pérvio ao exame físico. O tratamento do abortamento inevitável visa garantir a segurança da paciente e a completa evacuação uterina. As opções incluem manejo expectante, medicamentoso (com misoprostol) ou cirúrgico (AMIU ou curetagem), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente, do tamanho gestacional e da presença de infecção. O prognóstico para a gestação atual é desfavorável, mas a maioria das mulheres pode ter gestações futuras bem-sucedidas.
O abortamento inevitável é diagnosticado pela presença de sangramento vaginal, cólicas abdominais e, o achado mais importante, a dilatação do colo uterino (colo pérvio). Diferencia-se da ameaça de abortamento pelo colo uterino já aberto.
A conduta inicial envolve a estabilização hemodinâmica da paciente, se necessário, e o manejo expectante ou ativo para a expulsão do conteúdo uterino. Pode-se optar por conduta expectante, medicamentosa (misoprostol) ou cirúrgica (curetagem ou aspiração manual intrauterina - AMIU), dependendo da condição da paciente e da preferência.
A principal diferença reside no estado do colo uterino. Na ameaça de abortamento, há sangramento e cólicas, mas o colo uterino está fechado, e a gestação pode ser mantida. No abortamento inevitável, o colo uterino já está pérvio, indicando que a perda gestacional é irreversível.
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