Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2015
Paciente de 17 anos, com atraso menstrual de 25 dias, refere dor abdominal e sangramento vaginal há 2 horas. Ao exame: mamas flácidas, abdômen doloroso à palpação profunda em hipogástrio e, ao toque, colo pérvio no orifício interno para 2 cm, útero amolecido e sangramento regular. Diante desse caso, qual é o diagnóstico MAIS provável?
Atraso menstrual + sangramento + dor + colo pérvio = Abortamento inevitável.
O quadro de atraso menstrual (sugestivo de gravidez), dor abdominal, sangramento vaginal e, crucialmente, colo uterino pérvio com dilatação (2 cm no orifício interno) indica que o processo de abortamento está em curso e não pode ser interrompido, caracterizando um abortamento inevitável.
O abortamento espontâneo é a complicação mais comum da gravidez no primeiro trimestre, e sua correta classificação é fundamental para o manejo adequado. O caso apresentado descreve um cenário clássico de abortamento inevitável, caracterizado pela tríade de atraso menstrual (sugestivo de gravidez), dor abdominal e sangramento vaginal, associada a um achado crucial ao exame físico: o colo uterino pérvio. A dilatação do orifício interno do colo uterino, como descrito (2 cm), indica que o processo de expulsão do conteúdo uterino já está em andamento e não pode ser revertido. Diferencia-se do abortamento ameaçado (colo fechado, sem dilatação significativa), do abortamento retido (feto morto, colo fechado) e do abortamento completo (expulsão total do conteúdo, colo fechado ou em processo de fechamento). O manejo do abortamento inevitável visa garantir a estabilidade hemodinâmica da paciente, controlar a dor e o sangramento, e promover o esvaziamento uterino. A escolha da abordagem (expectante, medicamentosa com misoprostol ou cirúrgica com aspiração manual intrauterina ou curetagem) dependerá da condição clínica da paciente, do tamanho da gestação e da preferência da paciente, após aconselhamento adequado.
O abortamento inevitável é diagnosticado pela presença de sangramento vaginal, dor abdominal e, fundamentalmente, dilatação do colo uterino (colo pérvio), indicando que a expulsão do conteúdo uterino é iminente e não pode ser evitada.
No abortamento retido, o feto ou embrião morreu, mas o colo uterino permanece fechado e não há expulsão. No abortamento inevitável, o colo está aberto e o processo de expulsão já se iniciou.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica da paciente, analgesia e, geralmente, esvaziamento uterino, que pode ser expectante, medicamentoso ou cirúrgico, dependendo da condição da paciente e do tempo de gestação.
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