SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015
Mulher, 26 anos de idade, primigesta, idade gestacional de 16 semanas, chega à maternidade referindo sangramento moderado e cólicas, nega febre. Ao exame físico, abdome pouco doloroso à palpação, batimentos cardiofetais inaudíveis ao Sonnar Doppler. Ao toque, colo dilatado de 2cm, sangramento moderado. Considerando esse caso, indique o exame completamentar que define conduta.
Sangramento + Colo aberto + BCF ausente → Abortamento inevitável → USG para confirmar viabilidade/restos.
A presença de colo dilatado associada a sangramento e ausência de batimentos cardiofetais sugere abortamento inevitável ou em curso, exigindo ultrassonografia para definição de conduta.
O sangramento na primeira metade da gestação é uma emergência obstétrica comum. Quando o exame especular e o toque vaginal revelam um colo dilatado, o diagnóstico de abortamento inevitável torna-se a principal hipótese. Aos 16 semanas, o feto já possui dimensões consideráveis, e a conduta depende da estabilidade hemodinâmica da paciente e da confirmação ultrassonográfica da viabilidade. Se houver óbito fetal e colo aberto, o esvaziamento uterino é indicado para prevenir complicações como infecção (aborto séptico) ou coagulopatias. A ultrassonografia transvaginal ou pélvica é o padrão-ouro para diferenciar entre aborto completo, incompleto ou inevitável.
A principal diferença reside no exame físico, especificamente na avaliação do colo uterino. Na ameaça de abortamento, há sangramento vaginal, mas o colo permanece fechado e a vitalidade fetal costuma estar preservada. No abortamento inevitável, o colo já se apresenta dilatado (esvaecido ou aberto), muitas vezes acompanhado de cólicas intensas e rotura de membranas, indicando que o processo de expulsão não pode ser interrompido.
A ultrassonografia é o exame complementar de escolha para definir a conduta. Ela permite confirmar a ausência de batimentos cardiofetais (óbito embrionário/fetal), avaliar a integridade do saco gestacional e verificar a presença de restos ovulares na cavidade uterina. Com base nesses achados, decide-se entre o esvaziamento uterino (por AMIU ou curetagem) ou, em casos selecionados, a conduta expectante ou medicamentosa.
Aos 16 semanas de gestação, os batimentos cardiofetais devem ser facilmente audíveis via Sonnar Doppler. A ausência de BCF, associada a sangramento e dilatação cervical, é um sinal clínico forte de óbito fetal e abortamento em curso. No entanto, o diagnóstico definitivo de óbito deve ser sempre confirmado por ultrassonografia antes de qualquer procedimento invasivo de esvaziamento uterino.
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