Abortamento Inevitável: Manejo Urgente com AMIU

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Nuligesta, 25 anos, procura pronto atendimento com cólicas intensas em hipogástrio há 1 dia e sangramento vaginal moderado há 2 horas. A última menstruação da paciente foi há cerca de 2 meses. Nega doenças e tem usado preservativo em suas relações sexuais. Exame físico: descorada (+), pressão arterial 90/50 mmHg, frequência cardíaca 100 bpm. Exame especular: moderada quantidade de sangue em vagina. Toque vaginal: útero aumentado compatível com 9 semanas e colo pérvio 1 polpa. O teste imunológico para o diagnóstico da gravidez está mostrado abaixo (Figura). Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia transvaginal.
  2. B) Aspiração manual intrauterina.
  3. C) Prescrição de progesterona via oral.
  4. D) Repouso físico relativo e abstinência sexual.

Pérola Clínica

Atraso menstrual + cólicas intensas + sangramento moderado + colo pérvio + instabilidade hemodinâmica → Abortamento inevitável/incompleto; conduta: AMIU.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de abortamento inevitável ou incompleto (atraso menstrual, cólicas, sangramento, colo pérvio) e instabilidade hemodinâmica (PA 90/50, FC 100). A conduta mais adequada e urgente é a aspiração manual intrauterina (AMIU) para esvaziar o útero, controlar o sangramento e estabilizar a paciente.

Contexto Educacional

O abortamento espontâneo é uma complicação comum da gravidez no primeiro trimestre. A apresentação clínica varia, mas a combinação de atraso menstrual, cólicas intensas, sangramento vaginal e, principalmente, um colo uterino pérvio (dilatado) é altamente sugestiva de abortamento inevitável ou incompleto. Nesses casos, o conteúdo gestacional está sendo expelido ou já foi parcialmente expelido, mas ainda há restos no útero. A situação se torna uma emergência quando há sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão e taquicardia, indicando perda sanguínea significativa. Nesses cenários, a conduta prioritária é o esvaziamento uterino imediato para controlar o sangramento. A Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) é o método de escolha, sendo rápida, eficaz e com menor risco de complicações em comparação com a curetagem uterina. É fundamental que o residente saiba identificar rapidamente esses sinais e agir prontamente para estabilizar a paciente e prevenir complicações graves como choque hipovolêmico e infecção. Condutas como ultrassonografia transvaginal (para confirmar o diagnóstico e avaliar restos) ou a prescrição de progesterona (que não tem papel em abortamento em curso) seriam inadequadas como primeira linha em uma paciente instável.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de um abortamento inevitável ou incompleto?

Os sinais incluem atraso menstrual, cólicas abdominais intensas, sangramento vaginal moderado a intenso e, crucialmente, um colo uterino pérvio (dilatado) ao toque vaginal. Pode haver também a presença de restos ovulares no orifício cervical.

Por que a Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) é a conduta mais adequada neste cenário?

A AMIU é a conduta mais adequada porque permite o esvaziamento rápido e seguro do útero, controlando o sangramento e resolvendo a causa da instabilidade hemodinâmica. É um procedimento menos invasivo que a curetagem e pode ser realizado sob anestesia local.

Quais são os riscos de não realizar o esvaziamento uterino em um abortamento com colo pérvio e sangramento?

Não realizar o esvaziamento uterino em um abortamento com colo pérvio e sangramento pode levar a hemorragia persistente, instabilidade hemodinâmica progressiva, choque hipovolêmico, anemia grave e aumento do risco de infecção (endometrite, sepse).

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