Abortamento Inevitável: Diagnóstico e Conduta Obstétrica

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015

Enunciado

Segundo a OMS, abortamento é definido como a interrupção da gestação com feto pesando menos de 500 gramas ou com idade gestacional inferior a 20 semanas. Vejamos o seguinte caso clínico: gestante, 21 anos, G1P0, IG: 16 semanas, foi atendida na triagem obstétrica com história de sangramento genital associado à saída de coágulos há 3 dias. Nega uso de métodos abortivos. Ao exame: BEG; eupneica; afebril; hidratada; hipocorada 1+/4+; BCF não detectado pela USG. Ao toque vaginal: dilatação cervical de 3 cm, moderada hemorragia genital. O diagnóstico e a conduta são:

Alternativas

  1. A) Ameaça de abortamento/conduta expectante.
  2. B) Ameaça de abortamento/prescrever progesterona.
  3. C) Abortamento inevitável/AMIU. 
  4. D) Abortamento inevitável/indução com ocitocina e posterior curetagem.
  5. E) Abortamento infectado/vacuoaspiração.

Pérola Clínica

Abortamento inevitável = sangramento + dilatação cervical + BCF ausente. Conduta: esvaziamento uterino.

Resumo-Chave

O abortamento inevitável é caracterizado por sangramento vaginal, dilatação cervical e, frequentemente, ruptura de membranas ou BCF ausente. A conduta visa o esvaziamento uterino para prevenir complicações como hemorragia ou infecção, podendo ser feito com ocitocina para indução e posterior curetagem ou AMIU.

Contexto Educacional

O abortamento é definido pela interrupção da gestação antes de 20-22 semanas ou com feto pesando menos de 500 gramas. É uma complicação comum da gravidez, afetando cerca de 15-20% das gestações clinicamente reconhecidas. A classificação do abortamento é crucial para a conduta adequada, e o abortamento inevitável representa uma situação onde a perda gestacional é irreversível, exigindo intervenção para esvaziamento uterino. A fisiopatologia do abortamento inevitável envolve a progressão da ameaça de abortamento, com o colo uterino se dilatando e a perda do produto conceptual se tornando iminente. Os fatores de risco são variados, incluindo anomalias cromossômicas, infecções, malformações uterinas e doenças maternas. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de sangramento vaginal, dor abdominal tipo cólica e, mais importante, a dilatação do colo uterino, confirmada ao toque vaginal. A ultrassonografia é essencial para avaliar a vitalidade fetal e a presença de restos ovulares. A conduta no abortamento inevitável visa o esvaziamento uterino para prevenir complicações como hemorragia e infecção. As opções incluem a indução do trabalho de parto com ocitocina (especialmente em gestações mais avançadas dentro do limite do abortamento) seguida de curetagem uterina ou aspiração manual intrauterina (AMIU), que é preferível em idades gestacionais menores devido ao menor risco de complicações. O manejo deve ser rápido e eficaz, garantindo a estabilidade hemodinâmica da paciente e o suporte emocional necessário.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos que caracterizam um abortamento inevitável?

O abortamento inevitável é caracterizado por sangramento vaginal progressivo, dor abdominal tipo cólica, dilatação do colo uterino e, frequentemente, a ruptura das membranas ou a ausência de batimentos cardíacos fetais (BCF) ao ultrassom.

Qual a principal diferença entre ameaça de abortamento e abortamento inevitável?

Na ameaça de abortamento, há sangramento vaginal e dor, mas o colo uterino está fechado e o BCF geralmente está presente. No abortamento inevitável, o colo está dilatado, indicando que a perda gestacional é iminente e irreversível.

Quais são as opções de esvaziamento uterino para um abortamento inevitável?

As opções incluem manejo expectante (se estável), manejo medicamentoso (com misoprostol ou ocitocina para indução) ou manejo cirúrgico (aspiração manual intrauterina - AMIU ou curetagem uterina), dependendo da idade gestacional e condição clínica da paciente.

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