UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021
Adolescente, grávida de 12 semanas, procura o pronto-socorro obstétrico com queixa de cólicas e sangramento vaginal, há cerca de 6 horas. Ao exame: bom estado geral, hipocorada ( +/4+ ), FC 90 bpm, TA 11 O x 80 mmHg, temperatura 36,5 ºC. Abdome plano, flácido, pouco doloroso à palpação em hipogástrio. Especular: presença de pequena quantidade de sangue em fundo de saco vaginal, com discreto sangramento ativo, proveniente do orifício cervical. Não foi identificada a presença de restos ovulares. Toque: colo uterino amolecido, pérvio, permitindo a passagem de uma polpa digital pelo orifício interno. Útero aumentando de volume, compatível com a idade gestacional. O diagnóstico é:
Colo uterino pérvio com sangramento e cólicas em gestação precoce → Abortamento inevitável.
O diagnóstico de abortamento inevitável é feito pela presença de sangramento vaginal e cólicas, associados à dilatação do colo uterino (pérvio ao toque), indicando que o processo de abortamento não pode ser interrompido e progredirá.
O abortamento espontâneo é a complicação mais comum da gravidez no primeiro trimestre, afetando cerca de 10-20% das gestações clinicamente reconhecidas. A correta classificação do abortamento é crucial para o manejo adequado e para evitar complicações maternas. O abortamento inevitável representa uma fase em que o processo de expulsão do feto ou embrião e seus anexos já se iniciou e não pode ser revertido, sendo um diagnóstico de grande impacto emocional para a paciente. A fisiopatologia do abortamento inevitável envolve a perda da integridade cervical, que se dilata em resposta às contrações uterinas e à separação dos produtos da concepção. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de sangramento vaginal, cólicas abdominais e, o mais importante, a dilatação do colo uterino. A ultrassonografia pode complementar o diagnóstico, confirmando a presença de saco gestacional ou restos ovulares no útero e avaliando a vitalidade fetal, se aplicável. O tratamento do abortamento inevitável visa o esvaziamento uterino completo para prevenir hemorragias e infecções. As opções incluem manejo expectante, farmacológico (misoprostol) ou cirúrgico (AMIU ou curetagem), escolhidas com base na condição clínica da paciente, idade gestacional e preferência. É fundamental oferecer suporte psicológico e aconselhamento para a paciente e sua família, dada a natureza sensível da situação.
O abortamento inevitável é caracterizado pela presença de sangramento vaginal e cólicas, acompanhados de dilatação do colo uterino (pérvio ao toque ou à especuloscopia), sem expulsão completa de produtos da concepção. Diferencia-se da ameaça de abortamento pelo colo fechado.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica da paciente, analgesia e, dependendo da idade gestacional e estabilidade, pode-se optar por conduta expectante, medicamentosa (misoprostol) ou cirúrgica (curetagem uterina ou aspiração manual intrauterina - AMIU) para esvaziamento uterino.
O toque vaginal é fundamental para avaliar o colo uterino. Um colo amolecido e pérvio, permitindo a passagem de uma polpa digital, é indicativo de abortamento inevitável ou em curso, enquanto um colo fechado sugere ameaça de abortamento.
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