PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
Gestante, que já iniciou o pré-natal e não apresentava alterações mais relevantes, com idade gestacional de 13 semanas começa a sentir cólicas, seguida de sangramento vaginal moderado. Ao exame físico, a paciente encontra-se afebril, eupneica, discretamente descorada, PA 98/54 mmHg e frequência cardíaca de 90 bpm. O abdome é difusamente doloroso, de modo mais intenso no hipogástrio, mas não há descompressão brusca dolorosa. No exame especular, percebe-se sangramento vivo através do orifício cervical externo. No toque vaginal o colo uterino encontra-se entreaberto e não há percepção palpatória dos anexos uterinos. Assinale a alternativa CORRETA para situação clínica aqui descrita:
Sangramento + Colo Aberto + Concepto no útero = Abortamento Inevitável.
O abortamento inevitável diferencia-se do ameaçado pelo orifício cervical aberto. A conduta foca na estabilização hemodinâmica e esvaziamento uterino (AMIU ou curetagem) após a eliminação ou se houver risco materno.
O abortamento é a complicação mais comum da gestação inicial, definido como a interrupção da gravidez até a 20ª-22ª semana ou peso fetal inferior a 500g. O quadro de abortamento inevitável é caracterizado por dor abdominal tipo cólica e sangramento vaginal, com a característica definidora ao exame físico de um colo uterino pérvio (aberto). Diferente da 'ameaça de aborto', aqui a perda da gestação é considerada irreversível. O manejo clínico prioriza a segurança materna. Pacientes com sangramento moderado a grave e colo aberto devem ser estabilizadas com reposição volêmica se necessário. O esvaziamento uterino é indicado para prevenir infecções (aborto séptico) e hemorragias prolongadas. A escolha entre AMIU e curetagem depende da idade gestacional e disponibilidade técnica, sendo a AMIU o padrão-ouro para o primeiro trimestre devido ao seu perfil de segurança superior.
No abortamento inevitável, o colo uterino está aberto (entreaberto), há sangramento e cólicas, mas o produto da concepção ainda permanece integralmente dentro da cavidade uterina. No abortamento incompleto, o colo também está aberto, porém parte do conteúdo ovular já foi eliminado, permanecendo restos placentários ou membranas que mantêm o sangramento ativo. A conduta para ambos geralmente envolve o esvaziamento uterino se houver instabilidade ou sangramento profuso.
A Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) é preferível à curetagem em gestações de primeiro trimestre (geralmente até 12-14 semanas) por ser um procedimento menos traumático, com menor risco de perfuração uterina e sinéquias, além de poder ser realizado sob sedação ou bloqueio paracervical, reduzindo o tempo de internação e riscos anestésicos.
Embora ambos causem dor e sangramento, na prenhez ectópica rota a dor costuma ser mais lateralizada, há sinais de irritação peritoneal (descompressão brusca positiva) e o colo uterino geralmente está fechado. No caso descrito, a dor é hipogástrica, não há sinais peritoneais e o colo está aberto, o que direciona o diagnóstico para abortamento intrauterino.
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