Abortamento Inevitável: Diagnóstico e Manejo Clínico

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Uma gestante, 17 semanas e 1 dia de gestação, deu entrada no PS obstétrico queixando-se de dor abdominal em cólica de forte intensidade e sangramento vaginal vermelho vivo de início há 30 minutos, nega visualização de coágulos. Ao exame, paciente encontra-se estável hemodinamicamente, altura uterina compatível com IG e BCF ausente. Ao toque, colo dilatado 3 cm, presença de sangramento moderado. Trata-se de

Alternativas

  1. A) Abortamento incompleto.
  2. B) Abortamento inevitável.
  3. C) Abortamento retido.
  4. D) Incompetência istmo-cervical.

Pérola Clínica

Abortamento inevitável = sangramento + dor + colo dilatado + BCF ausente.

Resumo-Chave

O abortamento inevitável é caracterizado pela presença de sangramento vaginal, dor abdominal em cólica e dilatação do colo uterino, com inviabilidade fetal (BCF ausente), indicando que a interrupção da gestação é iminente e irreversível.

Contexto Educacional

O abortamento espontâneo é a perda da gestação antes de 20-22 semanas ou com feto pesando menos de 500g. É uma complicação comum, ocorrendo em cerca de 10-20% das gestações clinicamente reconhecidas. A classificação do abortamento é crucial para a conduta e inclui ameaça de abortamento, abortamento inevitável, incompleto, completo e retido. O abortamento inevitável representa uma fase avançada do processo, onde a interrupção da gestação é irreversível. O diagnóstico do abortamento inevitável é clínico e ultrassonográfico. Clinicamente, a paciente apresenta sangramento vaginal (geralmente vermelho vivo), dor abdominal em cólica progressiva e, ao exame físico, dilatação do colo uterino. A ultrassonografia confirma a inviabilidade fetal (ausência de batimentos cardíacos fetais ou saco gestacional vazio) e a presença do feto ou restos ovulares no canal cervical ou no útero. A dilatação cervical é o fator determinante que diferencia o abortamento inevitável da ameaça de abortamento. O manejo do abortamento inevitável visa a estabilização da paciente e o esvaziamento uterino. A estabilização hemodinâmica é prioritária em casos de sangramento intenso. As opções para o esvaziamento incluem conduta expectante (especialmente em gestações mais precoces), manejo medicamentoso com misoprostol ou esvaziamento cirúrgico (curetagem uterina ou aspiração manual intrauterina - AMIU). A escolha depende da idade gestacional, estabilidade da paciente, volume de sangramento e preferência da paciente. É fundamental oferecer suporte psicológico e aconselhamento para futuras gestações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do abortamento inevitável?

Os principais sinais são sangramento vaginal, dor abdominal em cólica e, ao exame especular ou toque vaginal, a presença de dilatação do colo uterino, geralmente acompanhada de inviabilidade fetal.

Como o abortamento inevitável se diferencia do abortamento incompleto?

No abortamento inevitável, o colo está dilatado e a expulsão do feto e anexos é iminente. No abortamento incompleto, parte do conteúdo uterino já foi expulsa, mas ainda há restos ovulares no útero, e o colo pode estar parcialmente aberto.

Qual a conduta inicial para uma paciente com diagnóstico de abortamento inevitável?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica da paciente, analgesia e, dependendo da idade gestacional e condições clínicas, pode-se optar por conduta expectante, medicamentosa ou esvaziamento uterino cirúrgico.

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