Abortamento Inevitável: Diagnóstico e Diferenciação Clínica

FESF-SUS - Fundação Estatal Saúde da Família (BA) — Prova 2022

Enunciado

Josefa tem 36 anos e teve seu filho saudável há quatro anos. Vem à Unidade de Saúde referindo sangramento por via vaginal há duas horas e refere teste de gravidez positivo há uma semana. Última menstruação há sete semanas. Ao exame físico: afebril, corada, hidratada. Abdome flácido, indolor. Especular: moderada quantidade de sangramento em vagina, sem restos ovulares. Toque vaginal: colo amolecido e pérvio 1 polpa digital. Útero aumentado de volume, compatível para gestação de sete semanas. Sobre esse caso clínico, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) se trata de abortamento completo.
  2. B) se trata de abortamento inevitável.
  3. C) a ausência de restos ovulares na vagina descarta a possibilidade de abortamento incompleto.
  4. D) como Josefa já tem um filho saudável, a chance do abortamento ser por aneuploidia é pequena.
  5. E) se trata de ameaça de abortamento e a paciente deve retornar para casa, com orientação de repouso e abstinência sexual.

Pérola Clínica

Sangramento + colo pérvio + útero compatível = Abortamento Inevitável.

Resumo-Chave

O diagnóstico de abortamento inevitável é caracterizado pela presença de sangramento vaginal, dilatação do colo uterino (pérvio a uma polpa digital) e útero com tamanho compatível com a idade gestacional, sem que haja expulsão completa dos produtos da concepção. Diferencia-se da ameaça de abortamento pela dilatação cervical, que indica a progressão irreversível do processo.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal no primeiro trimestre da gestação é uma queixa comum e sempre exige avaliação cuidadosa. Para residentes e estudantes de medicina, é fundamental dominar o diagnóstico diferencial e o manejo das diversas formas de abortamento. O abortamento é definido como a interrupção da gestação antes de 20 semanas ou com feto pesando menos de 500 gramas. A fisiopatologia do abortamento envolve uma série de fatores, sendo as aneuploidias cromossômicas a causa mais comum em gestações precoces. O quadro clínico pode variar desde uma ameaça de abortamento, onde há sangramento sem dilatação cervical, até um abortamento completo, com expulsão total dos produtos da concepção. No caso de abortamento inevitável, como o descrito, o colo uterino já se encontra dilatado, indicando que o processo de expulsão é iminente e irreversível. O diagnóstico de abortamento inevitável é clínico, baseado na presença de sangramento, dor e, principalmente, no exame físico que revela um colo uterino pérvio. A ausência de restos ovulares na vagina não descarta abortamento incompleto, pois os restos podem ainda estar no útero. A conduta para abortamento inevitável geralmente envolve o esvaziamento uterino, seja por aspiração manual intrauterina (AMIU) ou curetagem, após estabilização da paciente. Repouso e abstinência sexual são orientações para ameaça de abortamento, não para abortamento inevitável.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos para abortamento inevitável?

O abortamento inevitável é diagnosticado pela presença de sangramento vaginal, dor abdominal tipo cólica, e, crucialmente, dilatação do colo uterino (pérvio ao toque), com ou sem ruptura de membranas, mas sem expulsão completa dos produtos da concepção.

Como diferenciar ameaça de abortamento de abortamento inevitável?

A principal diferença é o estado do colo uterino. Na ameaça de abortamento, há sangramento, mas o colo está fechado. No abortamento inevitável, o colo está dilatado (pérvio), indicando que o processo de abortamento está em curso e não pode ser revertido.

Qual a conduta inicial em caso de abortamento inevitável?

A conduta inicial envolve avaliação da estabilidade hemodinâmica da paciente, analgesia, e preparo para esvaziamento uterino, que pode ser medicamentoso ou cirúrgico, dependendo da idade gestacional e das condições clínicas.

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