UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021
Paciente 30 anos de idade, no decorrer de 11 semanas de gestação. Queixa de dor em baixo ventre e sangramento genital de pequeno volume. Ao exame físico observou-se útero intrapélvico e não palpável, colo com 2cm de dilatação. B-hCG positivo. A ultrassonografia evidencia espessamento endometrial de 25mm e descreve imagem sugestiva de restos ovulares. O diagnóstico e conduta adequada neste caso, é:
Abortamento incompleto: colo dilatado + sangramento + restos ovulares na USG → esvaziamento uterino (AMIU/curetagem).
O quadro clínico de dor em baixo ventre, sangramento genital, colo dilatado e evidência ultrassonográfica de restos ovulares é diagnóstico de abortamento incompleto. A conduta adequada é o esvaziamento uterino, que pode ser realizado por curetagem ou aspiração manual intrauterina (AMIU).
O abortamento é a interrupção da gestação antes de 20 semanas ou com feto pesando menos de 500g. O abortamento incompleto é uma das suas formas clínicas mais comuns, caracterizado pela expulsão parcial dos produtos da concepção, com retenção de parte do tecido trofoblástico ou fetal no útero. Essa condição é uma emergência ginecológica frequente, demandando diagnóstico e tratamento rápidos para evitar complicações como hemorragia e infecção. O diagnóstico baseia-se na tríade clínica de dor abdominal tipo cólica, sangramento vaginal e dilatação do colo uterino. O exame físico revela um útero geralmente menor que o esperado para a idade gestacional e o colo dilatado. A ultrassonografia transvaginal é fundamental para confirmar a presença de restos ovulares na cavidade uterina, que se manifestam como espessamento endometrial irregular ou imagens hiperecogênicas. O β-hCG positivo confirma a gestação, mas não distingue o tipo de abortamento. A conduta para o abortamento incompleto é o esvaziamento uterino. As opções incluem a aspiração manual intrauterina (AMIU) ou a curetagem uterina. A AMIU é preferível por ser menos invasiva, mais rápida, com menor risco de complicações como perfuração uterina, sinéquias e infecção. A curetagem, embora ainda utilizada, é geralmente reservada para casos onde a AMIU não é viável ou em situações específicas. A estabilização hemodinâmica da paciente e a profilaxia antibiótica, se indicada, são passos cruciais antes do procedimento.
Os sinais e sintomas incluem sangramento vaginal de intensidade variável, dor em baixo ventre tipo cólica, presença de coágulos ou restos teciduais, e ao exame físico, o colo uterino encontra-se dilatado, com o útero geralmente menor que o esperado para a idade gestacional.
Ambas são métodos de esvaziamento uterino. A AMIU (Aspiração Manual Intrauterina) é um procedimento menos invasivo, realizado com uma seringa de vácuo, geralmente sob anestesia local, com menor risco de perfuração e infecção. A curetagem uterina utiliza uma cureta metálica e é mais associada a complicações, sendo preferencialmente substituída pela AMIU quando disponível.
A conduta expectante pode ser considerada em abortamentos incompletos ou retidos, especialmente em gestações precoces, se a paciente estiver estável hemodinamicamente, sem sinais de infecção e com desejo de aguardar a expulsão espontânea. No entanto, em casos de sangramento intenso ou sinais de infecção, o esvaziamento uterino é mandatório.
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