USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Paciente, 34 anos, chega ao Pronto-Socorro de Obstetrícia, referindo estar gestante de 7 semanas e com sangramento vaginal. Antecedente de 3 gestações com 1 parto vaginal e 1 aborto. Exame clínico: bom estado geral, descorada +/4, hidratada, pressão arterial de 120x74 mmHg, FC 72 bpm. Exame especular com sangramento moderado e presença do achado apresentado em canal vaginal. A paciente foi então encaminhada para exame de ultrassonografia transvaginal, cuja imagem é apresentada. Endométrio: 23 mm. Qual é a conduta mais adequada?
Abortamento incompleto com restos ovulares e sangramento → AMIU é a conduta de escolha para esvaziamento uterino seguro e eficaz.
Em casos de abortamento incompleto com sangramento moderado e evidência ultrassonográfica de restos ovulares (endométrio espessado, 'achado' no canal), a aspiração manual intrauterina (AMIU) é a conduta mais adequada para o esvaziamento uterino, sendo mais segura e eficaz que a curetagem, com menor risco de complicações.
O abortamento incompleto é uma das complicações mais comuns da gestação no primeiro trimestre, caracterizado pela expulsão parcial do conteúdo uterino, com retenção de restos ovulares. Clinicamente, manifesta-se por sangramento vaginal de intensidade variável, cólicas abdominais e, por vezes, febre se houver infecção. O diagnóstico é confirmado pelo exame especular (visualização de restos) e ultrassonografia transvaginal, que evidencia espessamento endometrial e/ou presença de material heterogêneo na cavidade uterina. A conduta para o abortamento incompleto visa o esvaziamento uterino para prevenir hemorragia e infecção. A aspiração manual intrauterina (AMIU) é o método de escolha, sendo superior à curetagem uterina em termos de segurança, menor dor, menor tempo de procedimento e menor risco de complicações como perfuração uterina e sinéquias. A AMIU pode ser realizada sob anestesia local, sendo um procedimento ambulatorial em muitos casos. A opção 'AMIU expectante' na questão pode ser interpretada como a escolha da AMIU como método, mas aguardando um momento oportuno ou a estabilização da paciente. No entanto, o termo 'expectante' geralmente se refere à observação sem intervenção ativa. Em casos de sangramento moderado e restos ovulares, a intervenção ativa com AMIU é geralmente indicada para evitar complicações. A histeroscopia cirúrgica e a curetagem puerperal não são as condutas mais adequadas para este cenário de abortamento precoce.
Os sinais incluem sangramento vaginal persistente, cólicas abdominais, e a presença de restos ovulares no colo uterino ou na ultrassonografia. O colo pode estar entreaberto, indicando a expulsão parcial do conteúdo.
A AMIU é preferível por ser menos invasiva, apresentar menor risco de perfuração uterina, sinéquias e infecção, além de ser mais rápida e poder ser realizada em ambiente ambulatorial, com melhor recuperação para a paciente.
A conduta expectante pode ser considerada em abortamentos completos ou incompletos com sangramento mínimo e sem sinais de infecção, especialmente se os restos ovulares forem pequenos e o útero estiver em processo de esvaziamento espontâneo.
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