Abortamento Incompleto: Diagnóstico Clínico e Conduta de Urgência

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 36 anos de idade, vem ao Pronto Atendimento referindo perda sanguínea volumosa, via vaginal, há cerca de 40 minutos. Nega comorbidades e refere atraso menstrual de 15 dias. Teste rápido de gravidez feito no Pronto Atendimento: positivo. Ao exame físico: descorada +1/4+, FC: 102bpm, PA: 100X60mmHg, FR: 18ipm, T: 36,4°C, abdome: flácido, plano, indolor à palpação, com ruídos hidroaéreos presentes. Exame especular: saída de intensa quantidade de restos ovulares, sem odor fétido. Toque vaginal: colo pérvio. Útero aumentado de volume para idade gestacional de seis semanas. Diante desse quadro, considerando que o evento foi precoce e espontâneo, indique a classificação do abortamento.

Alternativas

Pérola Clínica

Sangramento + Colo pérvio + Restos ovulares visíveis = Abortamento incompleto.

Resumo-Chave

O abortamento incompleto caracteriza-se pela eliminação parcial de tecidos ovulares, mantendo o colo uterino pérvio e necessitando de esvaziamento uterino se houver instabilidade ou sangramento intenso.

Contexto Educacional

O abortamento é a intercorrência mais comum da gestação inicial, definido como a interrupção da gravidez até a 20ª-22ª semana ou peso fetal inferior a 500g. A classificação clínica é essencial para a conduta: a ameaça de aborto apresenta colo fechado e feto vivo; o aborto inevitável apresenta colo aberto mas ovo íntegro; e o incompleto apresenta colo aberto com eliminação parcial. No caso clínico apresentado, a paciente exibe sinais de choque compensado (taquicardia e pressão limítrofe) e eliminação visível de restos ovulares, o que sela o diagnóstico de abortamento incompleto. O manejo inicial deve focar na estabilização hemodinâmica com cristaloides e, simultaneamente, no esvaziamento uterino para cessar a hemorragia. A ocitocina pode ser utilizada como adjuvante para auxiliar a contração uterina pós-esvaziamento. É fundamental também verificar o status de Rh da paciente para profilaxia de isoimunização se necessário.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar abortamento completo de incompleto?

A diferenciação é clínica e ultrassonográfica. No abortamento completo, a paciente relata eliminação de todo o conteúdo ovular, o sangramento diminui significativamente, a dor cessa e, ao exame, o colo uterino pode estar fechado e o útero de tamanho normal. No ultrassom, a cavidade endometrial está vazia ou com espessura < 15 mm. No abortamento incompleto, há persistência de sangramento (muitas vezes volumoso), dor abdominal, o colo uterino permanece pérvio e o útero está aumentado. O ultrassom revela ecos amorfos e espessura endometrial > 15 mm, confirmando a presença de restos ovulares.

Quais as indicações de esvaziamento uterino imediato?

O esvaziamento uterino imediato está indicado em casos de abortamento incompleto ou inevitável acompanhados de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), sangramento vaginal profuso e incontrolável, ou sinais de infecção (abortamento infectado). As técnicas preferenciais são a Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) para gestações de primeiro trimestre (até 12 semanas), por ser mais segura e menos traumática, ou a curetagem uterina. Em pacientes estáveis com restos ovulares pequenos, pode-se considerar a conduta expectante ou o uso de misoprostol para induzir a expulsão.

Qual a diferença entre abortamento inevitável e incompleto?

Ambos apresentam colo uterino pérvio (aberto). A diferença fundamental reside na integridade do produto conceptual. No abortamento inevitável, o processo de expulsão está em curso, mas o ovo ainda está íntegro dentro da cavidade uterina ou no canal cervical (frequentemente associado a rotura de membranas). No abortamento incompleto, parte do produto conceptual já foi eliminada, mas permanecem restos ovulares (placenta ou membranas) no interior do útero, o que impede a contração uterina efetiva e mantém o sangramento.

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