Abortamento Incompleto: Diagnóstico e Conduta Clínica

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 28 anos comparece à unidade de emergência com história de atraso menstrual há 2 meses, referindo que fez teste de beta-HCG sérico com resultado positivo. Relata sangramento vaginal e dor em baixo ventre do tipo cólica. Ao exame físico, apresenta abdome doloroso à palpação profunda em hipogástrio, sem sinais de irritação peritoneal; toque vaginal com orifício cervical interno aberto, com sangramento vaginal de moderada quantidade. Foi realizada ultrassonografia transvaginal na unidade de emergência, sendo evidenciada imagem sugestiva de restos ovulares. O diagnóstico correto do caso é:

Alternativas

  1. A) Neoplasia trofoblástica gestacional.
  2. B) Abortamento incompleto.
  3. C) Abortamento completo.
  4. D) Gravidez ectópica.

Pérola Clínica

Colo aberto + restos ovulares na USG = Abortamento incompleto.

Resumo-Chave

O abortamento incompleto caracteriza-se pela expulsão parcial de produtos da concepção, apresentando colo uterino pérvio ao exame físico e presença de restos na ultrassonografia.

Contexto Educacional

O abortamento é a interrupção da gravidez antes de 20-22 semanas ou com feto pesando menos de 500g. O tipo incompleto é uma das apresentações mais frequentes nas emergências obstétricas. A fisiopatologia envolve a descolagem parcial da placenta ou saco gestacional, levando a sangramento e contrações uterinas que abrem o colo, mas falham em expelir todo o conteúdo. O diagnóstico diferencial com gravidez ectópica é crucial, especialmente se a USG não mostrar claramente restos intrauterinos. O manejo foca na estabilização hemodinâmica e na garantia de que a cavidade uterina esteja limpa para prevenir endometrite ou hemorragia persistente. A profilaxia de imunoglobulina Anti-D deve ser considerada em pacientes Rh negativo.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre aborto incompleto e inevitável?

No abortamento inevitável, o colo uterino está aberto (pérvio), mas o conteúdo uterino (saco gestacional) ainda está íntegro ou em processo de expulsão iminente, sem que tenha havido a saída parcial de tecidos. Já no abortamento incompleto, parte do conteúdo já foi eliminado, mas permanecem restos ovulares na cavidade uterina, confirmados por ecos endometriais espessados ou heterogêneos na ultrassonografia. Clinicamente, ambos apresentam sangramento e dor, mas a presença de restos é o divisor de águas para a conduta de esvaziamento.

Como é feito o diagnóstico ultrassonográfico de restos ovulares?

O diagnóstico é sugerido quando a espessura endometrial é superior a 15 mm ou quando se observa uma massa heterogênea e irregular dentro da cavidade uterina em uma paciente com sangramento e colo aberto. A presença de fluxo ao Doppler dentro dessa massa aumenta a suspeita de tecidos trofoblásticos retidos. É fundamental correlacionar com os achados do exame físico (colo pérvio) e a história clínica de eliminação de tecidos ou coágulos.

Quais as opções de tratamento para o abortamento incompleto?

As opções incluem o esvaziamento cirúrgico por Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) ou curetagem uterina, e o manejo clínico com misoprostol em casos selecionados. A AMIU é preferível por apresentar menores taxas de complicações como perfuração uterina e sinéquias (Síndrome de Asherman) em comparação à curetagem. Em pacientes estáveis, a conduta expectante também pode ser discutida, embora o esvaziamento imediato seja a prática mais comum para evitar infecções e sangramentos prolongados.

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