Abortamento Incompleto: Manejo na Atenção Primária

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

Clarice trabalha como médica de família e comunidade no centro de saúde do Morro do Pau da Bandeira há cerca de 20 anos. Em mais um dia de trabalho recebe a paciente Lóri, mulher preta, cisgênero e heterossexual, de 18 anos, em uma consulta de demanda espontânea. Na consulta, Lóri se queixa de um sangramento vaginal com coágulos de início há 2 dias, associado as cólicas intensas. Conta que sua menstruação estava com um atraso de cerca de 3 semanas e sempre teve ciclos regulares. Quando questionada, a paciente responde que às vezes tem relações sexuais desprotegidas com o namorado e que frequentemente se esquece de tomar a pílula anticoncepcional. Última relação desprotegida há mais de 72 horas. Clarice percebe que a paciente se encontra muito nervosa e agitada. Ao perguntá-la sobre suas preocupações, Lóri começa a chorar dizendo que está com muito medo de estar grávida, pois trabalha sem carteira assinada durante o dia e estuda à noite. Não tem um bom vínculo com sua família e seu parceiro está desempregado. Teme que ele possa abandoná-la se estiver grávida. Acredita que não teria condições de criar um filho sozinha. Pede para que Clarice resolva a situação dela por ali mesmo, pois confia muito na "Doutora" e morre de medo de ficar internada em um hospital. Clarice tenta acalmar a paciente e pactuam realização de um teste rápido de gravidez, seguido de avaliação por exame físico. O teste de gravidez vem positivo. O tipo sanguíneo de Lóri é sabidamente O positivo. Ao exame físico: paciente afebril, hemodinamicamente estável. Sem alterações no exame abdominal. Especular: sangramento de moderada intensidade e, paredes vaginais e em colo uterino. Sem corrimento aparente. Colo em fenda. Sangramento sem odor fétido em espéculo. Toque vaginal: colo aberto, sem dor importante à palpação e mobilização de anexos. Sobre o caso clínico, além de oferecer sorologias para infecções sexualmente transmissíveis e fazer uma abordagem de saúde mental, qual a conduta mais apropriada.

Alternativas

  1. A) Encaminhar a paciente à maternidade, haja vista a possibilidade de abortamento incompleto, na qual há necessidade de abordagem cirúrgica com aspiração a vácuo com dilatação.
  2. B) Informar sobre o abortamento e, a partir de decisão compartilhada, fazer conduta expectante, reforçando à paciente sobre os sinais de alerta para ida imediata à maternidade.
  3. C) Encaminhar à maternidade para avaliar se ocorreu um abortamento completo ou incompleto, pois nesse último caso não seria possível fazer uma conduta expectante, haja visto o maior risco de abortamento infectado.
  4. D) Informar sobre o abortamento ocorrido e tranquilizar paciente, informando que ocorreu um abortamento completo, sem necessidade de intervenções, orientando sobre sinais de alerta.

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