Abortamento Incompleto: Diagnóstico e Conduta Clínica

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 35 anos de idade, com diagnóstico de gestação estabelecido há duas semanas, apresenta idade gestacional atual de doze semanas. Compareceu ao serviço de emergência, queixando-se de cólicas e sangramento vaginal intermitente e abundante iniciado há duas horas. Está ansiosa e chorosa, pois já sofreu dois abortos consecutivos previamente. O exame físico mostra colo entreaberto. A ultrassonografia descreve massa focal ecogênica sugestiva de restos ovulares. Com base nesse caso hipotético, julgue o item a seguir. A paciente deve receber diagnóstico de abortamento incompleto.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Sangramento + colo aberto + restos ovulares na USG = Abortamento incompleto.

Resumo-Chave

O abortamento incompleto é definido pela expulsão parcial de tecidos ovulares, apresentando-se clinicamente com colo pérvio e imagem ultrassonográfica de conteúdo heterogêneo intrauterino.

Contexto Educacional

O abortamento é a interrupção da gestação antes de 20-22 semanas ou com feto pesando menos de 500g. O abortamento incompleto é uma das formas clínicas mais comuns nas emergências obstétricas. A fisiopatologia envolve a separação parcial da placenta ou saco gestacional da parede uterina, levando à abertura do colo e sangramento persistente devido à incapacidade do útero de contrair-se eficientemente enquanto houver restos em seu interior. O manejo deve priorizar a estabilização hemodinâmica da paciente, especialmente em casos de sangramento abundante. A profilaxia de isoimunização Rh com imunoglobulina anti-D é obrigatória em pacientes Rh negativo não sensibilizadas. Além do tratamento físico, o suporte emocional é indispensável, dado o impacto psicológico de perdas gestacionais recorrentes, como no caso da paciente que já apresentava histórico de dois abortos prévios.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença clínica entre abortamento incompleto e inevitável?

No abortamento inevitável, o colo uterino está aberto e há sangramento/cólicas, mas os produtos da concepção ainda estão integralmente dentro do útero (geralmente com descolamento ou ruptura de membranas). No abortamento incompleto, parte do conteúdo já foi expelida, mas permanecem restos ovulares (massa ecogênica focal ou endométrio espessado e irregular) na cavidade uterina.

Quais são as opções de tratamento para o abortamento incompleto?

As opções incluem o esvaziamento cirúrgico via Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) — preferencial por ser menos traumática — ou curetagem uterina. Em casos selecionados de estabilidade hemodinâmica e desejo da paciente, pode-se considerar a conduta expectante ou o manejo farmacológico com misoprostol para completar a expulsão, embora a taxa de sucesso seja variável.

Como a ultrassonografia auxilia no diagnóstico?

A ultrassonografia é fundamental para diferenciar as formas de abortamento. No incompleto, observa-se a ausência de saco gestacional íntegro e a presença de material heterogêneo, hiperecogênico e irregular (restos) com espessura endometrial geralmente acima de 15 mm, associada à ausência de batimentos cardíacos fetais se o embrião ainda for visível.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo