UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020
Adolescente, 19 anos, com 7 semanas de atraso menstrual e resultado positivo de beta-hCG. Procura atendimento com quadro de dor em baixo ventre, tipo cólicas, acompanhada por sangramento vaginal em moderada intensidade. Ao exame: bom estado geral, afebril, hipocorada (+/4+). Especular: presença de material amorfo e de coágulos na vagina, em média quantidade. Toque: Colo uterino permitindo a passagem de uma polpa digital e útero discretamente aumentado de volume, sem massas anexiais palpáveis. O diagnóstico é:
Abortamento incompleto: sangramento + dor + colo pérvio + restos ovulares.
O abortamento incompleto é caracterizado pela expulsão parcial dos produtos da concepção, resultando em sangramento vaginal e dor abdominal, com o colo uterino ainda dilatado e a presença de restos ovulares na cavidade ou vagina.
O abortamento incompleto é uma das complicações mais comuns da gravidez no primeiro trimestre, afetando uma parcela significativa das gestações. É crucial para o médico residente reconhecer rapidamente essa condição para evitar complicações como hemorragia e infecção. A etiologia é multifatorial, incluindo anomalias cromossômicas, infecções e fatores maternos. O diagnóstico baseia-se na tríade de sangramento vaginal, dor abdominal tipo cólica e achados ao exame físico, como colo uterino pérvio e presença de restos ovulares na vagina ou no canal cervical. A ultrassonografia transvaginal é fundamental para confirmar a presença de restos ovulares na cavidade uterina e avaliar o volume do sangramento. O diagnóstico diferencial inclui ameaça de abortamento, abortamento completo e gravidez ectópica. O tratamento visa a remoção dos produtos da concepção retidos, podendo ser expectante, medicamentoso (com misoprostol) ou cirúrgico (aspiração manual intrauterina - AMIU ou curetagem uterina), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente, do tamanho dos restos e da preferência da paciente. O manejo adequado é essencial para prevenir hemorragias graves, infecções e sequelas reprodutivas futuras.
Os principais sinais e sintomas incluem sangramento vaginal de intensidade variável, dor abdominal tipo cólica e, ao exame, colo uterino pérvio com presença de restos ovulares.
A principal diferença reside no colo uterino: na ameaça de abortamento, o colo está fechado, enquanto no abortamento incompleto, o colo está pérvio e há expulsão parcial de produtos da concepção.
A conduta inicial envolve avaliação do estado hemodinâmico da paciente, confirmação diagnóstica por ultrassonografia e planejamento da remoção dos restos ovulares, que pode ser medicamentosa ou cirúrgica.
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