Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022
Primigesta, hoje com idade gestacional de 8 semanas e 4 dias por ultrassonografia realizada há cinco dias com resultado normal. Procura pronto atendimento com queixa de sangramento via vaginal de grande volume hoje. Associa-se ao quadro cólicas intensas. Exame físico: regular estado geral, descorada 3+/4+, FC= 140 bpm, PA= 70 x 45 mmHg, afebril. Abdome: plano, flácido, bastante doloroso à palpação profunda de hipogastro, descompressão brusca negativa. Exame especular: sangramento ativo em moderada quantidade pelo colo uterino, sem odor. Toque vaginal: útero aumentado para 8 semanas, colo pérvio um centimetro, palpação anexial indolor. Qual a conduta
Abortamento com choque hipovolêmico → estabilização volêmica + esvaziamento uterino imediato (AMIU/curetagem).
Em casos de abortamento com sangramento intenso e sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, descoramento), a prioridade é a estabilização hemodinâmica com expansão volêmica e reserva de sangue, seguida imediatamente pelo esvaziamento uterino (curetagem ou AMIU) para controlar a fonte do sangramento.
O abortamento é uma das complicações mais comuns da gravidez no primeiro trimestre, e pode se apresentar de diversas formas. Em casos de abortamento incompleto ou inevitável, o sangramento vaginal pode ser volumoso e levar rapidamente a um quadro de choque hipovolêmico, uma emergência obstétrica que exige intervenção imediata para salvar a vida da paciente. A paciente do caso apresenta sinais clássicos de choque hipovolêmico: taquicardia (FC=140 bpm), hipotensão (PA=70x45 mmHg) e descoramento 3+/4+. O sangramento ativo e o colo pérvio com útero aumentado para 8 semanas indicam um abortamento em curso, provavelmente incompleto, com retenção de produtos da concepção que mantêm o sangramento. A conduta prioritária nesses casos é a estabilização hemodinâmica. Isso envolve a instalação de acessos venosos calibrosos, expansão volêmica agressiva com cristaloides (soro fisiológico 0,9% ou Ringer lactato) e a solicitação de reserva de sangue para possível transfusão. Uma vez iniciada a estabilização, o próximo passo crucial é o controle da fonte do sangramento, que é o útero. O esvaziamento uterino, seja por Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) ou curetagem uterina, deve ser realizado imediatamente após a estabilização inicial para remover os produtos da concepção e promover a contração uterina, cessando a hemorragia. Atrasar o esvaziamento uterino para realizar exames complementares ou tentar condutas medicamentosas isoladas pode agravar o choque e comprometer a vida da paciente.
Sinais incluem taquicardia, hipotensão arterial, palidez cutaneomucosa, sudorese fria, tempo de enchimento capilar prolongado, oligúria e alteração do nível de consciência.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica com expansão volêmica agressiva (cristaloides), acesso venoso calibroso, monitorização e reserva de sangue, seguida imediatamente pelo esvaziamento uterino para cessar o sangramento.
AMIU ou curetagem são indicadas para o esvaziamento uterino em abortamentos incompletos ou inevitáveis, especialmente na presença de sangramento intenso, infecção ou sinais de instabilidade hemodinâmica.
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