INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma gestante com 24 anos, G2 P1 A0, chega à maternidade com sangramento vermelho vivo por via vaginal. Conta que descobriu sua segunda gravidez há 2 semanas. No momento, refere dor pélvica intensa e persiste com sangramento vaginal vivo. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, normocorada, pressão arterial de 110 x 70 mmHg, frequência cardíaca de 82 bpm e saturação de oxigênio de 98%. No exame físico, o médico plantonista constata colo pérvio no toque bimanual, útero compatível com 10 semanas de gravidez e sangramento vivo com saída de material sugestivo de restos ovulares.Considerando-se essa história clínica e os achados do exame físico, quais são a hipótese diagnóstica e a melhor conduta para a paciente?
Sangramento vivo + dor pélvica + colo pérvio + restos ovulares → Abortamento em evolução; discutir AMIU/curetagem ou conduta expectante.
O quadro clínico de sangramento vaginal vermelho vivo, dor pélvica intensa, colo uterino pérvio e a saída de material sugestivo de restos ovulares em uma gestante de 10 semanas é diagnóstico de abortamento em evolução (ou inevitável). A paciente está hemodinamicamente estável, permitindo a discussão das opções de manejo com ela, que incluem esvaziamento uterino (AMIU/curetagem) ou conduta expectante.
O abortamento é a interrupção da gravidez antes da 20ª semana de gestação ou com feto pesando menos de 500 gramas. É uma complicação comum, afetando cerca de 15-20% das gestações clinicamente reconhecidas. O abortamento em evolução, também conhecido como abortamento inevitável, é uma fase do processo de abortamento em que a interrupção da gravidez é iminente e irreversível, caracterizada por sinais clínicos específicos que o diferenciam de outras formas de abortamento. O diagnóstico de abortamento em evolução é feito pela tríade de sangramento vaginal (geralmente mais intenso e vermelho vivo), dor pélvica tipo cólica e, crucialmente, a presença de colo uterino pérvio ao exame especular ou toque vaginal. A saída de material ovular ou tecidos pela vagina confirma o diagnóstico. A ultrassonografia transvaginal pode complementar a avaliação, mostrando um saco gestacional ou embrião sem atividade cardíaca e/ou com sinais de descolamento, mas o achado de colo pérvio é o mais determinante clinicamente. O manejo do abortamento em evolução visa garantir a segurança da paciente e o esvaziamento uterino. As opções incluem a conduta expectante (aguardar a expulsão espontânea, indicada para pacientes estáveis e com gestações mais precoces), o manejo medicamentoso com misoprostol (que induz contrações uterinas e dilatação cervical) e o manejo cirúrgico. A aspiração manual intrauterina (AMIU) é o método cirúrgico preferencial, sendo menos invasiva e com menor risco de complicações que a curetagem uterina. A escolha da conduta deve ser discutida com a paciente, considerando seu estado clínico, tempo de gestação e preferências pessoais, garantindo sempre o suporte emocional adequado.
O abortamento em evolução é diagnosticado pela presença de sangramento vaginal (geralmente vermelho vivo), dor abdominal ou pélvica tipo cólica, e o achado de colo uterino pérvio ao exame físico. Pode haver também a visualização ou saída de restos ovulares pelo orifício cervical.
As opções de manejo incluem a conduta expectante (aguardar a expulsão espontânea), o manejo medicamentoso (com misoprostol) e o manejo cirúrgico (aspiração manual intrauterina - AMIU ou curetagem uterina). A escolha depende da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho gestacional e preferência da paciente.
Na ameaça de abortamento, há sangramento vaginal e/ou dor abdominal, mas o colo uterino está fechado e não há perda de material ovular, com a gravidez ainda viável. No abortamento em evolução, o colo uterino está pérvio, o processo de aborto é inevitável e geralmente há sangramento mais intenso e dor, com possível saída de restos ovulares.
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