SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020
Mulher, 36 anos de idade, vem ao Pronto Atendimento referindo perda sanguínea volumosa, via vaginal, há cerca de 40 minutos. Nega comorbidades e refere atraso menstrual de 15 dias. Teste rápido de gravidez feito no Pronto Atendimento: positivo. Ao exame físico: descorada +1/4+, FC: 102bpm, PA: 100X60mmHg, FR: 18ipm, T: 36,4°C, abdome: flácido, plano, indolor à palpação, com ruídos hidroaéreos presentes. Exame especular: saída de intensa quantidade de restos ovulares, sem odor fétido. Toque vaginal: colo pérvio. Útero aumentado de volume para idade gestacional de seis semanas. Diante desse quadro, considerando a prevalência, indique a principal causa do abortamento.
A causa mais comum de abortamento espontâneo no primeiro trimestre são as aneuploidias (trissomias).
Cerca de 50-60% dos abortamentos espontâneos precoces (antes de 12 semanas) são causados por anomalias cromossômicas esporádicas, sendo as trissomias autossômicas as mais frequentes.
O abortamento espontâneo é a complicação mais comum da gestação inicial, ocorrendo em 15-20% das gravidezes clinicamente reconhecidas. A fisiopatologia na maioria dos casos envolve erros na gametogênese ou na fertilização que resultam em embriões inviáveis. Identificar que a causa principal é genética ajuda no aconselhamento de casais, reduzindo a culpa materna e orientando sobre o prognóstico favorável para gestações futuras, já que a maioria dessas aneuploidias são eventos aleatórios.
Embora as trissomias autossômicas como grupo sejam as mais frequentes (cerca de 50% dos casos cromossômicos), a anomalia individual isolada mais comum encontrada em restos ovulares de abortamentos espontâneos é a monossomia do X (45,X ou Síndrome de Turner). No entanto, se considerarmos o grupo das trissomias, a trissomia do 16 é a mais observada em estudos citogenéticos de perdas gestacionais precoces, embora seja incompatível com a vida a termo.
O risco de abortamento espontâneo aumenta significativamente com a idade materna, principalmente após os 35 anos. Isso ocorre devido ao envelhecimento oocitário, que predispõe a erros de disjunção meiótica durante a ovogênese, resultando em uma maior incidência de aneuploidias fetais. Aos 40 anos, o risco de perda gestacional pode ultrapassar 40%, sendo a vasta maioria decorrente de causas genéticas numéricas.
A investigação de abortamento habitual ou recorrente é geralmente indicada após a perda consecutiva de duas ou mais gestações. Nesses casos, a investigação deve incluir análise citogenética dos restos ovulares, pesquisa de malformações uterinas (histeroscopia ou USG 3D), causas endócrinas (diabetes, tireoidopatias), síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAAF) e o cariótipo do casal para identificar translocações balanceadas.
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