PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2021
Gestante, 19 anos, com 10 semanas de gestação procura o PS devido queixa de sangramento vaginal, com cólicas. Ao toque vaginal, apresenta útero de dimensões aumentadas, com orifício cervical interno dilatado 1,5cm e saída de moderada quantidade de sangramento vaginal. O diagnóstico clínico dessa paciente é:
Sangramento + Colo Dilatado = Abortamento em curso.
O diagnóstico de abortamento em curso é clínico, definido pela presença de sangramento vaginal acompanhado de dilatação do orifício interno do colo uterino, indicando a irreversibilidade do processo.
O abortamento é a interrupção da gestação antes de 20-22 semanas ou com feto pesando menos de 500g. É a complicação mais comum do primeiro trimestre. O quadro clínico clássico envolve dor pélvica tipo cólica e sangramento vaginal de intensidade variável. No exame físico, o toque vaginal é o divisor de águas: a dilatação do colo (orifício interno) caracteriza o abortamento como inevitável ou em curso. Diferente da ameaça de aborto, onde o repouso e a observação são indicados, no abortamento em curso o foco muda para a garantia da estabilidade materna e o esvaziamento uterino completo para prevenir infecções (aborto séptico) ou hemorragias graves.
A principal diferença é o exame do colo uterino. Na ameaça de aborto, o colo permanece fechado (orifício interno fechado) e o sangramento costuma ser leve, com vitalidade embrionária preservada. No abortamento em curso, o colo está dilatado, o sangramento é geralmente mais intenso e o processo de expulsão é inevitável.
O aborto retido caracteriza-se pela morte embrionária ou fetal sem a expulsão dos produtos da concepção. Clinicamente, o colo uterino está fechado e pode haver regressão dos sinais gravídicos. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia, demonstrando ausência de batimentos cardiofetais ou saco gestacional anembrionado.
A conduta depende da estabilidade hemodinâmica da paciente e da idade gestacional. Pode-se optar pelo esvaziamento uterino imediato (AMIU ou curetagem) se houver sangramento excessivo, ou conduta expectante/medicamentosa em casos selecionados. É fundamental a tipagem sanguínea para profilaxia de isoimunização Rh se a paciente for Rh negativo.
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