Abortamento Completo: Diagnóstico e Sinais Chave

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025

Enunciado

Paciente com amenorreia há 12 semanas, foi a maternidade referindo sangramento vaginal. Ao exame ginecológico observou-se sangramento vaginal e ao toque vaginal o útero estava intrapélvico. À ultrassonografia transvaginal o eco endometrial mediu 5,3 mm. Não foi evidenciado saco gestacional intrauterino. O Beta HCG anotado no cartão de pré-natal era 3500 mlU/ml. O resultado do Beta HCG solicitado na maternidade foi 2000 mlU/ml. Qual a principal hipótese diagnóstica:

Alternativas

  1. A) Abortamento retido
  2. B) Abortamento evitável
  3. C) Abortamento completo
  4. D) Abortamento incompleto

Pérola Clínica

Sangramento vaginal + útero intrapélvico + eco endometrial fino + Beta HCG em queda → Abortamento completo.

Resumo-Chave

O diagnóstico de abortamento completo é feito pela tríade de sangramento vaginal, útero de tamanho normal ou menor para a idade gestacional, e ausência de restos ovulares no ultrassom, confirmada por um Beta HCG em queda significativa, indicando que todo o conteúdo gestacional foi expelido.

Contexto Educacional

O abortamento é a interrupção da gravidez antes de 20 semanas de gestação ou com feto pesando menos de 500 gramas. O abortamento completo é uma das formas de abortamento espontâneo, caracterizado pela expulsão total do concepto e seus anexos, resultando em um útero vazio. É uma condição comum, afetando cerca de 10-20% das gestações clinicamente reconhecidas, sendo a maioria no primeiro trimestre. O reconhecimento preciso é crucial para evitar intervenções desnecessárias e tranquilizar a paciente. A fisiopatologia do abortamento completo envolve a cessação do desenvolvimento embrionário ou fetal, seguida pela contração uterina e dilatação cervical que levam à expulsão de todo o tecido gestacional. Clinicamente, a paciente apresenta sangramento vaginal, cólicas que diminuem após a expulsão, e pode relatar a passagem de tecidos. Ao exame ginecológico, o colo uterino pode estar fechado e o útero de tamanho normal ou menor para a idade gestacional. O diagnóstico de abortamento completo é confirmado pela ultrassonografia transvaginal, que evidencia um útero vazio com eco endometrial fino (geralmente <5 mm), sem evidência de saco gestacional ou restos ovulares. Além disso, a queda significativa dos níveis séricos de Beta HCG, comparado a exames anteriores, corrobora o diagnóstico. A conduta é expectante, com acompanhamento clínico e laboratorial para confirmar a involução e descartar complicações, como infecção ou gravidez ectópica não diagnosticada.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre abortamento completo e incompleto na ultrassonografia?

No abortamento completo, a ultrassonografia transvaginal mostra um útero vazio com eco endometrial fino (<15mm), enquanto no incompleto, há presença de restos ovulares ou teciduais no interior da cavidade uterina.

Como a variação do Beta HCG auxilia no diagnóstico de abortamento?

Em uma gravidez viável, o Beta HCG dobra a cada 48-72 horas. Em um abortamento completo, os níveis de Beta HCG caem significativamente, enquanto em um abortamento retido ou incompleto, podem estar estáveis ou cair mais lentamente.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais de sangramento vaginal no primeiro trimestre?

Os principais diagnósticos diferenciais incluem abortamento (ameaçado, inevitável, incompleto, completo, retido), gravidez ectópica, mola hidatiforme e sangramento de implantação ou cervical.

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