Negligência em Idosos: Abordagem Médica na Atenção Primária

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2025

Enunciado

João, médico da UBS, realizou visita domiciliar de uma senhora de 84 anos, que após fratura de fémur está acamada, a pedido do Agente Comunitário de Saúde que vinha tendo dificuldade de dialogar com a família. Logo ao entrar na casa, percebeu o odor de urina e fezes e constatou que ela tinha dermatite de fralda extensa e hematomas em braços; Ao exame, estava alerta, lúcida e orientada. Com base nesse quadro, o que é recomendado o médico fazer:

Alternativas

  1. A) Avisar a paciente que ela está sendo vítima de negligência e que deve procurar o Conselho do Idoso.
  2. B) Evitar conversar com o filho responsável por ela e faça a denúncia para a delegacia mais próxima da casa.
  3. C) Perguntar para a paciente porque ela permitiu que isso acontecesse e oriente a melhor forma de trocar as fraldas.
  4. D) Buscar se vincular com a família, evitando juízo de valor sobre a situação antes de pensar em uma intervenção.
  5. E) Indicar o deslocamento de paciente para uma instituição de longa permanência, mesmo que não seja o seu desejo.

Pérola Clínica

Suspeita de negligência/maus-tratos em idoso → Abordagem inicial: vínculo familiar e escuta ativa, sem juízo de valor.

Resumo-Chave

Em casos de suspeita de negligência ou maus-tratos em idosos, a primeira abordagem do médico na Atenção Primária deve ser a construção de vínculo com a família, buscando entender a dinâmica e as dificuldades, antes de qualquer intervenção ou denúncia precipitada. Isso permite uma intervenção mais eficaz e humanizada.

Contexto Educacional

A violência contra o idoso, incluindo a negligência, é um grave problema de saúde pública, com prevalência crescente devido ao envelhecimento populacional. A negligência se manifesta pela falha do cuidador em prover as necessidades básicas do idoso, como higiene, alimentação, medicação e segurança. É crucial que o médico da Atenção Primária esteja atento aos sinais e sintomas, como dermatites, úlceras de pressão e hematomas, que podem indicar essa situação. A abordagem inicial deve ser cuidadosa e empática, visando à construção de vínculo com o idoso e seus familiares. É fundamental realizar uma escuta ativa, sem juízo de valor, para compreender a dinâmica familiar, as dificuldades enfrentadas pelos cuidadores e os recursos disponíveis. O objetivo é identificar os fatores de risco e proteção, e planejar intervenções que visem à melhoria da qualidade de vida do idoso e ao suporte à família. As intervenções podem variar desde a orientação sobre cuidados básicos e acesso a serviços sociais até a notificação compulsória aos órgãos competentes, como o Conselho do Idoso ou a delegacia, em casos de risco iminente ou violência confirmada. A prioridade é sempre a proteção e o bem-estar do idoso, buscando soluções que preservem sua autonomia e dignidade, preferencialmente no ambiente familiar, se seguro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para negligência em idosos?

Sinais incluem má higiene, desnutrição, lesões inexplicáveis (hematomas, úlceras de pressão), desidratação, roupas sujas, ambiente insalubre e isolamento social.

Qual a conduta inicial do médico diante da suspeita de negligência?

A conduta inicial é estabelecer vínculo com o paciente e a família, realizar uma escuta ativa, avaliar o contexto social e familiar, e só então planejar intervenções, que podem incluir apoio social ou, em último caso, denúncia.

Por que é importante evitar o juízo de valor na abordagem da violência contra o idoso?

Evitar o juízo de valor permite que a família se sinta mais à vontade para compartilhar suas dificuldades e desafios, facilitando a construção de um plano de cuidado colaborativo e a adesão às intervenções propostas.

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