HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020
Durante a reunião de planejamento semanal da Equipe de Saúde da Família “Nova Trento” a Agente comunitária de saúde Suzana relata que está tendo problemas no acompanhamento de uma família. No domicilio, vive uma família nuclear com três filhos pequenos. A família está passando por dificuldades de ordem financeira e há indícios de uma condição de uso abusivo de álcool. Segundo relato da esposa (Sra. Marli), ela já insistiu que o marido buscasse ajuda, mas não teve sucesso e sente-se muito incomodada com a situação. Tendo em mente o trabalho na Atenção Primária e a Política de Redução de Danos, qual a primeira estratégia a ser tomada para benefício do paciente e sua família, nesse momento?
Abuso de álcool na APS → 1º passo: estabelecer vínculo e avaliação geral, sem focar no problema inicial.
Em casos de suspeita de uso abusivo de álcool, especialmente quando o relato vem de terceiros, a primeira estratégia na Atenção Primária é estabelecer um vínculo de confiança com o paciente e a família. Isso permite uma avaliação mais abrangente e a criação de um ambiente seguro para futuras abordagens, sem confrontar diretamente o problema no primeiro contato.
O manejo do uso abusivo de álcool na Atenção Primária à Saúde (APS) é um desafio complexo que exige uma abordagem sensível e estratégica. A Política de Redução de Danos orienta que o foco inicial não deve ser a abstinência imediata, mas sim a minimização dos prejuízos associados ao uso de substâncias, promovendo a saúde e a qualidade de vida do indivíduo e sua família. Nesse contexto, o estabelecimento de vínculo terapêutico é a pedra angular. Quando a informação sobre o uso abusivo de álcool vem de terceiros, como a esposa, é fundamental que a equipe de saúde da família (ESF) adote uma postura acolhedora e não julgadora. A primeira estratégia deve ser a de aproximação, seja por visita domiciliar ou agendamento na unidade, com o objetivo de realizar uma avaliação geral do paciente e da família, sem necessariamente focar no problema do álcool de imediato. Essa abordagem permite construir confiança, entender o contexto de vida do paciente e identificar outras necessidades de saúde. Uma vez estabelecido o vínculo, a equipe pode, gradualmente, introduzir a discussão sobre o uso de álcool, oferecendo suporte e intervenções breves, sempre respeitando o tempo e a prontidão do paciente para a mudança. A intervenção breve é uma ferramenta eficaz para iniciar a discussão e motivar a mudança, mas deve ser aplicada no momento certo.
O vínculo terapêutico é crucial para criar um ambiente de confiança e segurança, permitindo que o paciente se sinta à vontade para discutir questões sensíveis como o uso de álcool, facilitando a adesão ao tratamento e a redução de danos.
Abordar o problema diretamente sem um vínculo estabelecido pode gerar resistência, negação e afastar o paciente do serviço de saúde. É mais eficaz iniciar com uma avaliação geral e construir a relação para que o tema possa ser introduzido de forma mais oportuna.
A visita domiciliar é indicada para conhecer o contexto familiar e social do paciente, estabelecer vínculo em seu ambiente e realizar uma avaliação mais completa, especialmente quando há dificuldades para o paciente comparecer à unidade ou quando a família busca ajuda.
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