UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
A abordagem terapêutica da acalasia envolve diferentes opções que variam em eficácia, taxa de recidiva e perfil de segurança. Entre os tratamentos farmacológicos e endoscópicos, agentes que interferem na neurofisiologia do esfíncter esofágico inferior (EEI) podem apresentar vantagens em pacientes com contraindicações para intervenções invasivas. Qual seria a opção terapêutica que oferece uma boa resposta inicial, porém com alta taxa de recidiva em até 50% dos casos após 1 ano de tratamento?
Botox na acalasia = boa resposta inicial + 50% de recidiva em 1 ano; reservado para alto risco cirúrgico.
A toxina botulínica atua inibindo a liberação de acetilcolina no EEI, reduzindo a pressão basal. Embora eficaz a curto prazo, a alta taxa de recidiva limita seu uso como primeira linha.
A acalasia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela ausência de relaxamento do EEI e aperistalse do corpo esofágico. O tratamento visa reduzir a resistência funcional na junção esofagogástrica. Enquanto a miotomia de Heller e o POEM são padrões-ouro, a farmacoterapia e a toxina botulínica ocupam papel paliativo ou temporário. A escolha terapêutica deve ser individualizada, considerando a classificação de Chicago e o status funcional do paciente.
A toxina botulínica atua bloqueando a liberação pré-sináptica de acetilcolina nos neurônios excitatórios do plexo mientérico no esfíncter esofágico inferior (EEI). Isso resulta em uma redução da pressão de repouso do esfíncter, facilitando a passagem do bolo alimentar para o estômago. No entanto, o efeito é temporário, pois ocorre a regeneração das terminações nervosas, o que explica a alta taxa de recidiva clínica observada em cerca de 50% dos pacientes após o primeiro ano de tratamento.
A aplicação endoscópica de toxina botulínica é reservada principalmente para pacientes idosos, com múltiplas comorbidades ou com contraindicações formais para procedimentos mais invasivos, como a miotomia de Heller ou a dilatação pneumática. Devido à sua natureza temporária e à necessidade de reaplicações, ela não é a primeira escolha para pacientes jovens ou com baixo risco cirúrgico, onde tratamentos definitivos oferecem melhores resultados a longo prazo.
As principais desvantagens incluem a alta taxa de recorrência dos sintomas (aproximadamente 50% em 12 meses) e a potencial indução de fibrose na região da cárdia. Essa fibrose submucosa pode dificultar a realização técnica de uma futura miotomia de Heller, aumentando o risco de perfuração mucosa durante a dissecção cirúrgica. Além disso, o custo repetitivo das aplicações e a necessidade de múltiplas endoscopias tornam o método menos custo-efetivo que a cirurgia em pacientes aptos.
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