Úlcera Genital Não Vesiculosa: Abordagem e Tratamento

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022

Enunciado

O tratamento da úlcera genital feminina tem como base a clínica das lesões e a prevalência local dos agentes etiológicos. Desse modo, o fluxograma para abordagem sindrômica de úlceras genitais femininas, preconizado pelo Ministério da Saúde (MS), orienta, inicialmente, a anamnese e o exame físico. Com base no fluxograma, em uma paciente em que a úlcera não tenha padrão vesiculoso e tenha poucos dias de evolução, assinale a alternativa que apresenta a(s) doença(s) a ser(em) tratada(s) primeiramente.

Alternativas

  1. A) Sífilis secundária.
  2. B) Cancro mole e donovanose.
  3. C) Sífilis e cancro mole.
  4. D) Herpes genital e donovanose.
  5. E) Donovanose e sífilis.

Pérola Clínica

Úlcera genital não vesiculosa de poucos dias → Tratamento empírico para Sífilis e Cancro Mole (maior prevalência e gravidade).

Resumo-Chave

Na abordagem sindrômica de úlceras genitais femininas, quando a lesão não é vesiculosa e tem poucos dias de evolução, o Ministério da Saúde preconiza o tratamento empírico para as duas causas mais prevalentes e com potencial de complicações graves: sífilis (cancro duro) e cancro mole. Isso garante o tratamento rápido e evita a disseminação das infecções.

Contexto Educacional

A abordagem sindrômica das úlceras genitais é uma estratégia fundamental preconizada pelo Ministério da Saúde para o manejo das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), visando o tratamento rápido e eficaz, especialmente em locais com recursos diagnósticos limitados. Essa abordagem baseia-se na identificação de síndromes clínicas e no tratamento empírico das etiologias mais prováveis e de maior impacto em saúde pública. No caso de úlceras genitais femininas que não apresentam padrão vesiculoso (excluindo herpes genital primário) e com poucos dias de evolução, as principais etiologias a serem consideradas e tratadas inicialmente são a sífilis primária (cancro duro) e o cancro mole. A sífilis é uma infecção sistêmica com potencial de complicações graves a longo prazo e alta transmissibilidade, enquanto o cancro mole, embora localizado, é doloroso e pode evoluir com bubões supurativos. O tratamento empírico simultâneo para sífilis e cancro mole garante a cobertura das causas mais comuns e importantes, prevenindo a progressão da doença e a cadeia de transmissão. A sífilis é tratada com penicilina benzatina, e o cancro mole com azitromicina ou ceftriaxona, conforme as diretrizes atuais. A donovanose e o linfogranuloma venéreo são causas menos frequentes e geralmente associadas a úlceras crônicas ou com características específicas que podem ser abordadas após a exclusão ou falha terapêutica das causas mais prevalentes.

Perguntas Frequentes

Por que a abordagem sindrômica é utilizada para úlceras genitais?

A abordagem sindrômica permite iniciar o tratamento rapidamente com base nos sintomas e achados clínicos, sem a necessidade de exames laboratoriais complexos e demorados, que podem não estar disponíveis em todos os serviços, prevenindo a transmissão e complicações.

Quais são as características clínicas que diferenciam sífilis e cancro mole?

O cancro duro da sífilis é tipicamente uma úlcera única, indolor, de bordas elevadas e fundo limpo, com linfonodomegalia inguinal bilateral e indolor. O cancro mole é geralmente uma úlcera múltipla, dolorosa, de bordas irregulares e fundo sujo, com linfonodomegalia inguinal unilateral e dolorosa (bubão).

Quando se deve considerar outras causas de úlcera genital na abordagem sindrômica?

Se a úlcera for vesiculosa, deve-se considerar herpes genital. Se a úlcera for crônica, indolor e com aspecto granulomatoso, deve-se pensar em donovanose ou linfogranuloma venéreo, embora estas sejam menos comuns e geralmente não sejam o tratamento inicial na abordagem sindrômica de 'poucos dias de evolução'.

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