HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015
Gabriel, 26 anos, casado, procurou a UAPS com queixa de há uma semana surgir uma úlcera de 1 cm de diâmetro na região peniana, indolor e não pruriginosa. Ele está constrangido, não quer que a médica o examine localmente. Quando questionado, nega a presença de vesícula e relata que a esposa não apresenta lesão alguma. De acordo com a abordagem sindrômica das DST, a conduta correta é:
Úlcera genital indolor + sem vesículas → Sífilis primária. Abordagem sindrômica inclui Penicilina G benzatina + Azitromicina, rastreio HIV/Hepatite B e tratamento de parceiro.
A úlcera genital indolor e não pruriginosa, sem vesículas, é altamente sugestiva de cancro duro (sífilis primária). A abordagem sindrômica para úlceras genitais, recomendada pelo Ministério da Saúde, preconiza o tratamento empírico para sífilis e cancroide, devido à dificuldade de diferenciação clínica e à importância do tratamento rápido para interromper a cadeia de transmissão.
A abordagem sindrômica das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) é uma estratégia fundamental de saúde pública, especialmente em locais com recursos diagnósticos limitados. Ela se baseia no tratamento de síndromes clínicas, como a de úlcera genital, sem a necessidade de confirmação laboratorial imediata. A úlcera genital indolor e não pruriginosa, como a descrita no caso, é classicamente associada ao cancro duro, a lesão primária da sífilis, uma infecção bacteriana causada pelo Treponema pallidum. No contexto da abordagem sindrômica para úlceras genitais, a conduta recomendada pelo Ministério da Saúde do Brasil visa cobrir as etiologias mais comuns: sífilis e cancroide (causado por Haemophilus ducreyi), este último caracterizado por úlceras dolorosas. Portanto, o tratamento empírico inclui Penicilina G benzatina para sífilis e Azitromicina (ou Ceftriaxona) para cancroide. Além do tratamento medicamentoso, é imperativo oferecer testagem para HIV e Hepatites B e C, realizar aconselhamento sobre práticas sexuais seguras e uso de preservativos, e, crucialmente, convocar e tratar os parceiros sexuais para quebrar a cadeia de transmissão. Para residentes, é vital compreender que a ausência de exame local, embora idealmente evitada, não deve atrasar o tratamento em casos com alta suspeição clínica e na abordagem sindrômica. A rapidez na intervenção é essencial para prevenir a progressão da doença, reduzir a transmissibilidade e evitar complicações a longo prazo. O acompanhamento do paciente e a reavaliação em 7 dias são importantes para verificar a resposta ao tratamento e reforçar as orientações.
A principal causa de úlcera genital indolor é a sífilis primária (cancro duro), que se apresenta como uma lesão única, de bordas elevadas e fundo limpo. Outras causas menos comuns incluem donovanose e linfogranuloma venéreo, que geralmente têm características adicionais como adenopatia supurativa ou lesões mais destrutivas. A diferenciação clínica pode ser desafiadora, justificando a abordagem sindrômica.
A abordagem sindrômica é preferível porque permite o tratamento imediato e empírico das causas mais comuns de úlceras genitais (sífilis e cancroide) sem a necessidade de exames laboratoriais complexos ou demorados, que podem não estar disponíveis em todos os serviços. Isso reduz o tempo para início do tratamento, minimiza a transmissão e previne complicações.
A convocação e tratamento de parceiros sexuais são cruciais para interromper a cadeia de transmissão das DSTs, prevenir reinfecções do paciente tratado e evitar complicações graves nos parceiros. É uma medida de saúde pública fundamental para o controle das epidemias de DSTs.
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