INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
O médico de uma Equipe de Saúde da Família faz uma visita domiciliar a uma paciente idosa, obesa, diabética e que tem dificuldade de locomoção. Ela não consegue seguir as orientações da equipe, não toma as medicações indicadas, mora sozinha e lê com dificuldade. A paciente mostra uma caixa onde coloca todos os medicamentos. Para ajudá-la, o médico e a equipe refazem a receita e as orientações escritas com desenhos, separando os medicamentos por horários. Diante desse quadro, que outra conduta deveria ser tomada pela equipe?
Vulnerabilidade social + baixa adesão no idoso → Intersetorialidade e rede de apoio social.
A abordagem de pacientes complexos na APS exige ir além da prescrição médica, integrando redes de suporte social e conselhos de direitos para garantir a segurança e o autocuidado.
O manejo de pacientes idosos com múltiplas comorbidades e baixa rede de apoio exige uma visão ampliada da clínica. A Estratégia Saúde da Família (ESF) deve atuar não apenas no ajuste farmacológico, mas na identificação de barreiras sociais ao tratamento. A intersetorialidade, conectando a Unidade Básica de Saúde com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Conselho do Idoso, é essencial para criar uma rede de proteção. No caso apresentado, a paciente possui limitações físicas e cognitivas (baixo letramento) que impedem o seguimento das orientações. A denúncia ao Ministério Público é uma medida extrema para casos de negligência comprovada após esgotamento de tentativas de auxílio, enquanto a internação hospitalar seria inadequada para um problema de ordem social e crônica. O foco deve ser o monitoramento compartilhado e o suporte comunitário.
O Conselho do Idoso deve ser acionado sempre que houver suspeita de violação de direitos ou quando a rede de suporte familiar for insuficiente para garantir a dignidade e a saúde do idoso, permitindo a articulação com recursos sociais do bairro.
A intersetorialidade envolve a colaboração entre diferentes setores (saúde, assistência social, educação) para enfrentar determinantes sociais complexos que impactam o processo saúde-doença, como a solidão e o analfabetismo funcional.
Estratégias visuais, como o uso de desenhos, cores e separação por horários em caixas organizadoras, são fundamentais para pacientes com dificuldade de leitura, promovendo autonomia no tratamento.
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