UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Mulher de 35 anos, religiosa, mora com seu marido e seus três filhos menores de idade. Ela teve um acidente vascular cerebral (AVC) há seis meses que a deixou com sequelas motoras. Na visita domiciliar, devido a uma lesão por pressão em estágio inicial, ela questionou se sua doença seria um castigo, pois há um ano teve uma gravidez que “não foi à frente”. Considerando a abordagem integral da pessoa, no caso dessa paciente, o profissional deve:
Sofrimento espiritual em doença crônica → reconhecer, acolher, oferecer suporte e mapear rede de apoio.
A abordagem integral do paciente inclui reconhecer e validar seu sofrimento espiritual, oferecendo um espaço seguro para expressão e buscando fortalecer sua rede de apoio, sem desconsiderar ou julgar suas crenças.
A abordagem integral da pessoa na saúde transcende o modelo biomédico, incorporando as dimensões psicossociais e espirituais do indivíduo. Em pacientes com doenças crônicas e sequelas, como no caso de um AVC, o sofrimento espiritual é uma manifestação comum, onde o paciente pode questionar o sentido da vida, a justiça divina ou o propósito de sua condição. Ignorar essa dimensão é falhar na integralidade do cuidado. O profissional de saúde deve estar apto a reconhecer e acolher esse sofrimento, criando um espaço seguro para que o paciente possa expressar suas crenças, medos e questionamentos. Não se trata de evangelizar ou impor visões, mas de validar a experiência do paciente, demonstrar empatia e oferecer suporte. Isso pode envolver uma escuta ativa, a validação de sentimentos e a exploração de recursos internos e externos que o paciente utiliza para lidar com sua espiritualidade. Além do acolhimento, é crucial mapear e fortalecer a rede de apoio do paciente, que pode incluir familiares, amigos, líderes religiosos ou grupos de apoio. Essa rede desempenha um papel vital no conforto, na resiliência e na busca de sentido diante da doença. Ao integrar a dimensão espiritual no plano de cuidados, o profissional contribui para uma melhor qualidade de vida, bem-estar e adesão ao tratamento, reforçando os princípios da humanização e da atenção centrada na pessoa.
O sofrimento espiritual pode impactar significativamente a qualidade de vida, a adesão ao tratamento e o bem-estar geral do paciente. Reconhecê-lo permite uma abordagem mais integral, humanizada e centrada na pessoa, promovendo resiliência e sentido.
O profissional deve criar um ambiente de escuta ativa e acolhimento, permitindo que o paciente expresse suas crenças e questionamentos. Não se trata de impor crenças, mas de validar o sofrimento, oferecer suporte emocional e, se apropriado, mapear e acionar a rede de apoio espiritual e social do paciente.
A rede de apoio, que pode incluir familiares, amigos, líderes religiosos e grupos comunitários, é fundamental para oferecer conforto, solidariedade e recursos espirituais. O profissional deve auxiliar o paciente a identificar e fortalecer essas conexões.
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