Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2025
Paciente de 72 anos hígida até o momento procura atendimento no consultório (PSF) do bairro onde mora acompanhada da filha apresentando queixas de falta de sono, problema que está apresentando há vários meses. Qual seria a conduta certa nessa situação:
Insônia em idosos: a abordagem inicial é sempre não farmacológica, começando com o diário do sono para diagnóstico.
Antes de prescrever medicações para insônia em idosos, que apresentam alto risco de efeitos adversos, a avaliação inicial é fundamental. O diário do sono é uma ferramenta diagnóstica essencial para identificar padrões, hábitos e possíveis causas secundárias, guiando a terapia não farmacológica (higiene do sono, TCC-i), que é a primeira linha de tratamento.
A insônia é uma queixa extremamente comum na população idosa, mas sua abordagem requer cautela e uma metodologia estruturada. Devido às mudanças fisiológicas do envelhecimento, como a diminuição da produção de melatonina e a fragmentação do sono, é tentador normalizar a queixa ou recorrer imediatamente à farmacoterapia. Ambas as condutas são inadequadas. A abordagem inicial correta é sempre não farmacológica. O primeiro passo é uma anamnese detalhada e a solicitação de um diário do sono por uma a duas semanas. Este diário é uma ferramenta diagnóstica poderosa que ajuda a objetivar a queixa e a identificar comportamentos inadequados que perpetuam a insônia. Com base nesses dados, a intervenção primária é a educação em higiene do sono e, idealmente, a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-i), que é o padrão-ouro de tratamento. O uso de medicamentos deve ser a exceção, não a regra. Benzodiazepínicos e drogas-Z (Zolpidem, Zopiclona) estão associados a riscos significativos de quedas, fraturas, delirium e dependência em idosos. Se a farmacoterapia for indispensável, deve ser usada na menor dose eficaz, pelo menor tempo possível, e com monitoramento rigoroso dos efeitos adversos.
Deve-se registrar o horário de deitar, o tempo estimado para adormecer (latência do sono), o número e a duração dos despertares noturnos, o horário de acordar pela manhã, o horário de levantar-se da cama, a ocorrência de cochilos diurnos e o uso de substâncias como cafeína e álcool.
Idosos possuem alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas que aumentam a suscetibilidade a efeitos adversos de sedativos-hipnóticos, como sonolência diurna residual, amnésia, ataxia, quedas com fraturas (especialmente de quadril) e piora cognitiva.
É crucial investigar condições como apneia obstrutiva do sono, síndrome das pernas inquietas, dor crônica não controlada, nictúria por hiperplasia prostática ou bexiga hiperativa, transtornos de humor (depressão, ansiedade) e efeitos adversos de outros medicamentos em uso.
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