Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Durante uma consulta de acompanhamento em uma UBS com Estratégia de Saúde da Família, o médico residente atende Dona Helena, 63 anos, hipertensa, que relata aumento da pressão arterial e insônia desde que passou a cuidar do marido, recentemente diagnosticado com Alzheimer. A paciente demonstra cansaço e chora ao falar sobre a rotina de cuidados. O profissional decide utilizar instrumentos de abordagem familiar para compreender melhor o contexto. No genograma, identifica que Helena mora com o marido e um filho adulto que pouco participa dos cuidados. No APGAR familiar, o escore é baixo, principalmente nos itens de participação e apoio. Com base nos princípios da Medicina de Família e Comunidade e no uso desses instrumentos, entre as opções abaixo, a melhor conduta para este caso é:
APGAR familiar baixo + sobrecarga do cuidador → Plano de cuidado compartilhado com a rede de apoio.
O uso de instrumentos como o genograma e o APGAR familiar permite identificar disfunções na rede de apoio e guiar intervenções que transcendem o manejo biológico individual.
A Medicina de Família e Comunidade utiliza o método clínico centrado na pessoa e a abordagem sistêmica para compreender que o processo saúde-doença é influenciado pelo contexto familiar. Instrumentos como o Genograma e o APGAR familiar não são meros registros, mas ferramentas diagnósticas que revelam a dinâmica de suporte e os pontos de ruptura na rede de cuidado. No caso de cuidadores de pacientes com demência, a sobrecarga é um fator de risco cardiovascular e psiquiátrico significativo. A intervenção eficaz exige que o médico residente saia do modelo puramente biomédico (ajuste de anti-hipertensivos) e atue como mediador na família. Mobilizar membros ausentes, como o filho citado no caso, e validar o sofrimento da cuidadora são passos fundamentais para a estabilização clínica da paciente. O plano de cuidado deve ser pactuado, visando a sustentabilidade do cuidado ao paciente com Alzheimer sem sacrificar a saúde do cuidador principal.
O APGAR familiar é um instrumento que avalia a satisfação dos membros da família em relação a cinco domínios: Adaptação, Participação, Crescimento (Growth), Afeto e Resolução. É uma ferramenta subjetiva que ajuda a identificar famílias funcionalmente saudáveis ou com diferentes graus de disfunção, sendo essencial para planejar intervenções psicossociais na Estratégia de Saúde da Família.
O genograma é uma representação gráfica de pelo menos três gerações da família, detalhando a estrutura, os processos dinâmicos e as relações afetivas. Ele permite ao médico visualizar rapidamente padrões de hereditariedade, conflitos relacionais, rede de apoio e o contexto social do paciente, facilitando a identificação de vulnerabilidades e recursos terapêuticos familiares.
O manejo envolve a identificação precoce através de escalas (como a de Zarit), a utilização de instrumentos de abordagem familiar para mobilizar a rede de apoio (filhos, vizinhos, grupos de apoio) e a elaboração de um Plano Terapêutico Singular (PTS). O foco deve ser a divisão de tarefas e o suporte emocional, evitando a medicalização excessiva de sintomas que são reações ao estresse crônico.
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