HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2017
Mulher, 60 anos, do lar, casada, mora com o marido taxista e com a neta de 14 anos. Está com uma filha dependente de crack atualmente internada em uma comunidade terapêutica, É portadora de dislipidemia e depressão. Fez uso de amitriptilina, imipramina, diazepam e clonazepam, “sem melhora do quadro”. No momento, está em uso de fluoxetina 40 mg ao dia, que segundo a própria funciona “mais ou menos”. A queixa atual é cefaleia persistente, irritabilidade, e uma sensação estranha de arrepios. Reclama que o marido para pouco em casa e que a neta está muito desobediente. A neta, por sua vez, diz que a avó “é chata e só reclama de tudo”. Qual é a primeira medida a ser tomada?
Depressão refratária + conflitos familiares → abordagem da dinâmica familiar é a primeira medida.
Em casos de depressão com falha terapêutica e evidentes conflitos familiares, a abordagem da dinâmica familiar é crucial. A saúde mental do indivíduo está intrinsecamente ligada ao seu contexto social e familiar, e a resolução de tensões interpessoais pode ser mais eficaz do que apenas ajustar a medicação.
A depressão é um transtorno mental comum que afeta milhões de pessoas globalmente, caracterizada por humor deprimido, perda de interesse ou prazer, e uma variedade de sintomas físicos e cognitivos. Em pacientes idosos, a apresentação pode ser atípica, com queixas somáticas e irritabilidade. A falha terapêutica com múltiplos antidepressivos, como no caso apresentado, sugere a necessidade de uma abordagem mais abrangente, que vá além da simples otimização farmacológica. A saúde mental de um indivíduo é profundamente influenciada pelo seu contexto familiar e social. Conflitos familiares, estressores crônicos e padrões de comunicação disfuncionais podem perpetuar ou agravar quadros depressivos, tornando o tratamento medicamentoso menos eficaz. Nesses casos, a abordagem da dinâmica familiar torna-se uma medida prioritária e essencial. A intervenção na dinâmica familiar, que pode incluir a escuta ativa de todos os membros, a identificação de papéis e padrões de interação, e a promoção de novas formas de comunicação, pode levar a uma melhora significativa no bem-estar do paciente. Ferramentas como o genograma e o ecomapa são valiosas para mapear as relações e os recursos sociais. O objetivo é criar um ambiente de suporte que favoreça a recuperação e a resiliência do paciente, muitas vezes antes mesmo de considerar um encaminhamento psiquiátrico especializado.
A dinâmica familiar deve ser considerada quando há queixas de conflitos interpessoais, falha terapêutica em tratamentos anteriores, ou quando o ambiente familiar parece contribuir para o estresse e a manutenção dos sintomas depressivos.
Ferramentas como o genograma (representação gráfica da estrutura familiar e relações) e o ecomapa (representação das conexões da família com sistemas externos) são úteis para visualizar e analisar a dinâmica familiar e social.
O médico da atenção primária tem um papel fundamental na escuta ativa, na identificação de padrões disfuncionais e na facilitação da comunicação familiar, podendo oferecer intervenções breves ou encaminhar para terapia familiar.
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