Check-up em Jovens Adultos: Abordagem e Prevenção

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2018

Enunciado

Renato, 30 anos, veio procurar consulta com seu MFC, solicitando um check-up. É músico, tabagista e, durante a consulta, o médico percebe que o motivo real pelo qual Renato veio hoje foi a ansiedade gerada pelo fato de o avô ter morrido há 1 semana, devido a metástases ósseas de um câncer de próstata. Nessa situação,

Alternativas

  1. A) é importante acolher os receios do paciente e solicitar hemograma, glicemia de jejum, perfil lipídico, verificar a pressão arterial e orientar atividade física regular.
  2. B) é importante acolher os receios do paciente, orientar a deixar o tabagismo, verificar pressão arterial e solicitar PSA e perfil lipídico.
  3. C) é importante escutar a demanda e dialogar sobre o motivo da consulta. Nesse sentido, ofertar o PSA, toque retal e orientar a cessação do tabagismo. 
  4. D) com base nas boas evidências disponíveis, solicitar PSA, perfil lipídico, verificar a pressão arterial, aconselhar a deixar o tabagismo e discutir com ele sobre o uso de álcool.
  5. E) é importante realizar a escuta com empatia, discutir sobre os rastreios indicados, aconselhar sobre tabagismo, hábitos de vida e prevenção de acidentes (maior causa de morte e internação nessa idade).

Pérola Clínica

Check-up em jovem adulto: acolher demanda oculta, focar em prevenção (tabagismo, acidentes), rastreios adequados à idade.

Resumo-Chave

Em uma consulta de check-up, especialmente em Medicina de Família e Comunidade, é fundamental ir além da demanda explícita e acolher o motivo real da consulta, muitas vezes relacionado a ansiedades e medos. Para um homem de 30 anos, o foco deve ser na promoção da saúde e prevenção de riscos relevantes para a idade, como tabagismo, hábitos de vida e, crucialmente, prevenção de acidentes, que são a principal causa de morte e internação nessa faixa etária. Rastreamento de câncer de próstata (PSA, toque retal) não é indicado para essa idade.

Contexto Educacional

A consulta de 'check-up' em Medicina de Família e Comunidade (MFC) é uma oportunidade ímpar para a promoção da saúde e prevenção de doenças, mas exige uma abordagem centrada na pessoa. Muitas vezes, a solicitação de um check-up esconde preocupações mais profundas, como no caso de Renato, que busca alívio para a ansiedade gerada pela morte do avô. Nessa situação, a escuta ativa e empática é o primeiro e mais importante passo. O médico deve acolher os receios do paciente, permitindo que ele expresse suas angústias. Em seguida, a consulta deve focar em rastreamentos e intervenções preventivas que sejam apropriadas para a idade e o perfil de risco do paciente. Para um homem de 30 anos, o rastreamento de câncer de próstata (PSA e toque retal) não é indicado, pois o risco é mínimo e os potenciais danos (biópsias desnecessárias, ansiedade) superam os benefícios. As prioridades para essa faixa etária incluem o aconselhamento sobre hábitos de vida saudáveis (dieta, atividade física), cessação do tabagismo (fator de risco importante para Renato), e, crucialmente, a prevenção de acidentes. Acidentes de trânsito, violência e suicídios são as principais causas de morbimortalidade em jovens adultos, tornando a discussão sobre segurança e saúde mental essencial. A abordagem do MFC visa a integralidade do cuidado, considerando o contexto biopsicossocial do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da escuta empática em uma consulta de check-up?

A escuta empática permite ao médico identificar a 'demanda oculta' ou o motivo real que levou o paciente à consulta, que muitas vezes vai além da solicitação inicial de exames e está relacionada a preocupações emocionais, sociais ou medos subjacentes.

Quais são as principais causas de morbimortalidade em homens de 30 anos?

Em homens jovens (20-39 anos), as principais causas de morte e internação estão relacionadas a causas externas, como acidentes de trânsito, violência e suicídios, além de doenças relacionadas a hábitos de vida como tabagismo, uso de álcool e sedentarismo.

O rastreamento de câncer de próstata (PSA e toque retal) é indicado para homens de 30 anos?

Não, o rastreamento de câncer de próstata com PSA e toque retal não é recomendado para homens de 30 anos, pois o risco de câncer de próstata nessa idade é extremamente baixo e os potenciais danos do rastreamento (biópsias desnecessárias, ansiedade) superam os benefícios. As diretrizes geralmente recomendam iniciar o rastreamento a partir dos 50 anos, ou mais cedo em casos de alto risco.

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