UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
O médico de família e a enfermeira realizaram visita domiciliar a um homem de 58 anos, aposentado, comerciante, pai de dois filhos e viúvo há três anos. Ele está com câncer de próstata, e informa que realizou orquiectomia há cinco anos. Após episódio de dor óssea e retenção urinária, foi internado. Relata que recebeu alta hospitalar após colocação de sonda vesical e que lhe informaram não haver mais nada a se fazer. O quadro clínico foi considerado avançado, progressivo e sem perspectiva de tratamento curativo. Considerando as dimensões da abordagem centrada na pessoa, em relação ao caso acima, é correto afirmar que o(a):
ACP em cuidados paliativos → explorar entendimento do paciente sobre sua doença e prognóstico.
Na Abordagem Centrada na Pessoa, especialmente em cuidados paliativos, é fundamental que o médico explore ativamente o entendimento do paciente sobre sua doença, suas expectativas e medos. Isso permite alinhar o plano de cuidados com os valores e desejos do indivíduo, promovendo uma comunicação eficaz e humanizada.
A Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) é um modelo de cuidado que transcende a visão puramente biomédica, reconhecendo o paciente como um indivíduo com sua própria história, valores, crenças e contexto social. Em situações de doenças crônicas avançadas, como o câncer de próstata metastático em cuidados paliativos, a ACP torna-se ainda mais relevante, pois o foco se desloca da cura para a qualidade de vida, o alívio do sofrimento e o respeito à autonomia do paciente. Um dos pilares fundamentais da ACP é a exploração do entendimento do paciente sobre sua doença. Isso significa ir além do diagnóstico e prognóstico médico, buscando compreender como o paciente percebe sua condição, quais são seus medos, suas esperanças e o que ele considera importante para sua vida. No caso apresentado, o paciente recebeu a informação de que 'não havia mais nada a se fazer', o que pode gerar desamparo e falta de clareza sobre os próximos passos. Para o médico de família e a enfermeira, é essencial criar um espaço de escuta ativa e empática, permitindo que o paciente reconte sua história e expresse suas preocupações. Ao explorar o entendimento da pessoa sobre sua doença, o profissional de saúde pode identificar lacunas de informação, corrigir equívocos, alinhar expectativas e, juntos, construir um plano de cuidados que faça sentido para o paciente, incluindo o manejo da dor, o suporte psicossocial e a discussão sobre diretivas antecipadas de vontade. Essa abordagem humanizada é a essência dos cuidados paliativos e da medicina de família.
Os pilares da ACP incluem explorar a doença e a experiência da doença, entender a pessoa como um todo, encontrar um terreno comum para o plano de manejo, incorporar a prevenção e promoção da saúde, e fortalecer a relação médico-paciente.
Explorar o entendimento do paciente é crucial para respeitar sua autonomia, identificar suas preocupações, medos e expectativas, e construir um plano de cuidados que esteja alinhado com seus valores e objetivos de vida, promovendo dignidade e qualidade de vida.
A comunicação eficaz é a base da ACP, permitindo que o médico ouça ativamente, valide os sentimentos do paciente, forneça informações claras e empáticas, e estabeleça uma relação de confiança, fundamental para o manejo de doenças crônicas e em fim de vida.
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